quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Pesticidas nas plantações de coca ameaça a sobrevivência das abelhas na Bolívia



O uso de pesticidas contra as pragas das plantações de coca, somado às mudanças climáticas e a outros fatores ameaçam a sobrevivência das abelhas na Bolívia, segundo apicultores e especialistas.

"Nas plantações de coca estão sendo usados de forma maciça e intensiva pesticidas químicos que afetam diretamente a saúde das abelhas", explica Rene Villca, apicultor na municipalidade de Coroico, na região de Nor Yungas, ao norte de La Paz.

"Das 20 colmeias que tenho, dez estão produzindo normalmente e dez não. Obviamente têm população, mas têm muito menos", lamenta.

De acordo com a última Pesquisa de Cultivo de Coca apresentada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o governo boliviano, a quantidade de cultivos de folha de coca subiu 6% no país em 2017, um aumento de 1,4 mil hectares de plantações, de 23.100 para 24.500.

"A área de cultivo de coca se expandiu e a floresta nativa reduziu em níveis alarmantes", aponta Miguel Limachi, entomologista da Universidad Mayor de San Andrés de La Paz.

A situação é agravada pelo fato de que a extensão dos cultivos de folha de coca pode levar à destruição de outros tipos de florestas capazes de gerar uma resposta natural às pragas associadas à folha de coca.

"Uma monocultura (cultivo de uma única espécie) é mais atacada por pragas de insetos ou fungos porque não existe mais a cobertura vegetal nativa, não há mais controladores naturais", explica Limachi. "E então utiliza-se mais pesticidas e em maiores concentrações".

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