quinta-feira, 11 de outubro de 2018

MPF apura se economista da campanha de Bolsonaro cometeu irregularidades na gestão de fundos de investimento



Ministério Público Federal abriu uma investigação preliminar para apurar se o economista Paulo Guedes, conselheiro econômico do presidenciável Jair Bolsonaro(PSL), cometeu irregularidades na gestão financeira de fundos de investimento.

Procurada, a defesa de Paulo Guedes declarou que causa "perplexidade" que, às vésperas da eleição presidencial, tenha sido instaurado um procedimento para apurar fatos de um relatório "manifestamente mentiroso".

A investigação é preliminar e foi aberta no dia 2 de outubro. O Jornal Nacional teve acesso aos documentos do caso, revelado pelo jornal "Folha de S.Paulo".

De acordo com o Ministério Público Federal, dois fundos de investimentos criados por Paulo Guedes tinham a promessa de receber R$ 1 bilhão de sete fundos de pensão, a partir de 2009. A investigação não aponta quanto deste dinheiro foi, de fato, investido.

No primeiro ano, 2009, os investimentos dos fundos de pensão somaram mais de R$ 60 milhões.

Chamou a atenção dos investigadores que os quatro fundos de pensão que mais investiram com Paulo Guedes na época, Previ, Petros, Funcef e Postalis, são hoje alvos de operações de forças-tarefas, com foco nesta modalidade de investimento, o FIP. Daí a investigação preliminar.

De acordo com o MP, depois de receber os recursos dos fundos de pensão, o Fundo BR Educacional investiu o dinheiro de seus cotistas em apenas uma empresa, a HSM Educacional S/A, também controlada por Paulo Guedes.

Com o investimento dos fundos, a HSM Educacional comprou 100% do capital de outra empresa criada por Paulo Guedes, a HSM do Brasil S/A. E os investigadores registraram:
"Nos chama a atenção o ágio de 16,5 milhões de reais pago pelas ações da HSM do Brasil, conforme registrado nas demonstrações contábeis da investida".

E concluem: "Cabe indagar a razão de pagamento de ágio em montante considerável à empresa vendedora, com sede na Argentina".

Segundo os investigadores, depois dos investimentos dos fundos de pensão, as atividades operacionais da HSM do Brasil S/A apresentaram prejuízos recorrentes.

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