quinta-feira, 19 de abril de 2018

Cuba empossa novo presidente e o que esperar da Cuba pós-Castro?



Cuba anuncia seu novo presidente nesta quinta-feira (19). O único candidato indicado para aprovação da Assembleia Nacional, como já se esperava, é Miguel Díaz-Canel. Dessa forma, depois de quase 60 anos, a ilha não terá um dos irmãos Castro no comando: Raúl Castro deixará a presidência 12 anos depois de substituir pela primeira vez seu irmão mais velho, Fidel. 

Díaz-Canel, de 57 anos, será também o primeiro presidente de uma geração posterior à que vivenciou a Revolução de 1959. 

“É a primeira vez que Cuba será presidida por um político que nasceu depois e não pertence à geração guerrilheira. Alguns analistas acreditam que, por essa nova 'geração burocrática' possuir menos legitimidade, terá também que criar mais mecanismos de gestão colegiada e negociação entre os diferentes grupos que compõem o Estado", analisa a historiadora Joana Salém, doutoranda em História na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora visitante da Universidade da Califórnia. 

"Essa transição geracional pode criar um efeito descentralizador do sistema político, mas isso não necessariamente será visível ao observador externo, pois pode acontecer sem mudanças formais”, afirma Salém.

Daniel Aarão Reis, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), acredita que não se pode dizer que a "era Castro acabou". Para ele, a oposição ao governo de Raúl ainda encontrará dificuldades, mesmo que a abertura econômica ganhe fôlego. 

"As oposições continuam a ter vida dura em Cuba, sofrendo assédio permanente do governo e de sua polícia política, que se concretiza em pressões e mesmo prisões. A curto prazo, não há perspectivas alentadoras para elas", afirma.

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