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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

No sexto dia de rebelião crise se agrava no sistema carcerário no Estado do RN


O presidente Michel Temer (PMDB) determinou o envio de tropas das Forças Armadas para o patrulhamento de ruas no Rio Grande do Norte em razão do agravamento do conflito de facções criminosas na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, tanto dentro da unidade – que registrou novas mortes em confronto nesta quinta-feira – quanto fora, com ataques a pelo menos 29 veículos e três delegacias desde ontem.

Informações preliminares da Polícia Militar dão conta de que há presos mortos e outros feridos em decorrência do confronto de hoje — ainda não se sabe o número exato.
Detentos ligados às facções rivais Primeiro Comando da Capital (PCC) e Sindicato do Crime do RN se enfrentaram no pátio da penitenciária com pedras, telhas, lanças e pedaços de madeira, retirados da estrutura da unidade. A PM tentou conter o conflito atirando das guaritas balas de borracha e bombas de efeito moral. No sábado, uma briga entre os dois grupos criminosos deixou 26 mortos no presídio no maior massacre do sistema penitenciário do Estado.

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), afirmou, em entrevista à Rádio CBN e ao jornal da GloboNews, que a situação em Natal está “fora de controle” e que telefonou ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para pedir o envio imediato das Forças Armadas para o Estado. Diante do apelo, Temer autorizou o encaminhamento das tropas, que farão o patrulhamento das ruas de Natal, enquanto a PM será mandada para Alcaçuz.

Segundo o governador, a polícia deve entrar novamente no presídio, desta vez para formar uma “corrente humana” para dividir as duas facções até que uma “parede física” seja erguida. Ontem, a tropa de choque fez uma operação na unidade para transferir 220 homens.

Segundo balanço do governo, 22 ônibus, seis carros e um caminhão foram incendiados entre ontem e hoje. Três delegacias de polícia foram atacadas a tiros, duas em Natal e outra em Caicó.  O governador afirmou que as ações são uma resposta das facções às medidas tomadas pelas autoridades em Alcaçuz. “Estão botando fogo em ônibus como retaliação pela separação das facções nos presídios. Ambos os lados estão retaliando o governo. A situação está muito mais grave do que ontem. Precisamos de um socorro imediato”, disse Faria.

Por causa do temor de novas ofensivas, os ônibus em Natal foram tirados de circulação e recolhidos às garagens ao meio-dia desta quinta-feira. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros (Seturn), não há previsão de retorno da operação.

DeFato

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