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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Governo do RN decreta emergência


O Governo do RN decretou  Estado de Emergência em Saúde Pública contra o Aedes aegypti. O documento, formulado pela Consultoria Geral do Estado, vem publicado hoje no Diário Oficial do Estado e terá validade nos próximos 180 dias, com a concessão de poderes à Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) para tomar qualquer decisão imediata no combate ao mosquito ou de respostas às doenças transmitidas por ele. Na prática, porém, não foram delimitadas ações pontuais que serão tomadas a partir de hoje.Emanuel Amaral
Anúncio do decreto foi feito pelo governador Robinson Faria que assegura que orientações da OMS serão seguidas rigorosamenteAnúncio do decreto foi feito pelo governador Robinson Faria que assegura que orientações da OMS serão seguidas rigorosamente 
Pelo texto enviado ao Gabinete Civil do Estado, para assinatura do governador Robinson Faria, a Sesap “coordenará a atuação específica dos órgãos estaduais competentes”, bem como terá autorização para “mediante portaria, editar atos normativos complementares necessários à execução do decreto”. 

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou o titular da Sesap, Ricardo Lagreca, para detalhar as ações que seriam tomadas, mas, até o fechamento desta edição, não o localizou. Segundo a secretária-chefe do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha, contudo, ele não tinha tido acesso ao documento, que foi enviado pela Consultoria no início da noite. O mesmo foi confirmado pela assessoria da Sesap, que declarou não ter sido notificada de qualquer nova diretriz em relação aos trabalhos que vem sendo realizados. 

Em evento na manhã de ontem, com a presença de prefeitos, sociedade civil, entes públicos e segmentos religiosos, o governador Robinson Faria afirmou ter solicitado audiência com a presidente Dilma Roussef, para discutir o assunto junto a outros Chefes de Estados do Nordeste, além de querer aproveitar a oportunidade para defender a criação de um Fundo Nacional, bem como campanhas publicitárias educativas. 

O combate ao mosquito Aedes aegypti é visto como imprescindível no controle da Zyka, associada aos casos de microcefalia, registrados no Brasil desde agosto. No Rio Grande do Norte, já são 89 casos em recém-nascidos, com seis mortes confirmadas. Em relação à Zyka, até o final de novembro, já haviam 6.424 suspeitas registradas no Estado, tendo 73 confirmações. 

Para o combate ao mosquito, o governador Robinson Faria espera contar com o apoio do Exército no auxílio aos agentes de endemias. “Só aqui no RN são cerca de 4 mil homens que podem ser somados”, frisou.Tal atitude foi cobrada também pelo secretário de Estado de Saúde Pública, Ricardo Lagreca, durante o encontro. “A União precisa colocar as Forças Armadas nas ruas. Já se passou 15 dias do decreto de emergência nacional”, salientou. Até o momento, o Ministério da Saúde enviou duas profissionais de epidemiologia ao Estado, para percorrer as cidades onde foram notificados casos de microcefalia. 

Segundo a coordenadora de Promoção em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública, Cláudia Frederico, 60 municípios estão em estado de risco de surto. Apesar disso e das condições favoráveis ao Aedes aegypti, ela acredita que outras ações devem anteceder medidas como carros fumacê. “Ele só deve atuar em momentos críticos. Quando nós usamos, é como reconhecer a falha, porque o mosquito já está adulto. O foco do combate tem que ser nos criadouros. Temos que lembrar que essa estratégia de combate lança veneno no meio ambiente”, justificou.  

Curiosidades
- O mosquito que transmite a dengue e outros vírus (Zyka, Chikungunya e Febre Amarela no meio urbano)  foi descrito inicialmente em 1762, mas só entrou para a família “Aedes” em 1818

- Aedes aegypti significa o “odioso/desagradável do Egito”
- O transmissor da dengue, originário do Egito, vem se espalhando pelo planeta desde o século 16, pegando carona na época das grandes navegações

- O primeiro relato de dengue no Brasil ocorreu no século 19 na cidade de Curitiba/Paraná, mas ainda não se configurou como epidemia 

- Só as fêmeas Aedes aegypti têm a capacidade de transmitir o vírus da dengue para humanos 

- O Brasil já foi considerado livre do mosquito em 1958 pela OMS, mas ele voltou porque países vizinhos (Venezuela, Suriname, Guiana e países do Caribe) não conseguiram exterminar a sua população de Aedes 

- O vetor da dengue é encontrado em todos os Estados brasileiros  

Outras formas de transmissão 
Especialistas internacionais vêm reiterando também a transferência de fluidos corporais como maneiras alternativas de transmissão do Zyka vírus, além da picada do Aedes aegypti. Entre as possibilidades, está a passagem via sêmen, por transfusão de sangue e leite materno. No entanto, por serem estudos recentes, não há confirmação oficial destes novos canais. 

Para o infectologista Kleber Luz, apesar de existir indícios, não é algo que deva ser considerado no trabalho de combate ao vírus. “Pode sim favorecer, são formas alternativas, mas, não tem importância epidemiológica. Se tiver mosquito, ele vai ser o maior transmissor. Mas, claro que, se a mulher tiver grávida e o marido tiver com o vírus, por exemplo, ele deve usar preservativo”, pontuou. 

Para a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Natal, Juliana Araújo, apesar de preocupantes, tais indicações são difíceis de se identificar no atual quadro nacional. “Temos novos estudos apontando, mas, para se atestar,  precisaríamos de casos na fase aguda. E, o surto foi no início do ano. Então, não estamos tendo oportunidade para isso”, declarou.

Ainda segundo Juliana Araújo, os fatores de risco à doença vem sendo acompanhados pela SMS constantemente. “Até o momento, são 35 casos detectados em Natal, através dos exames do Pré-Natal, sendo a maioria com relatos das mães informando que tiveram o Zyka e ficaram boas. Mas, infelizmente não há como confirmar”, disse. 

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