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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Ex-presidente do BNDES afirma que crise econômica é cíclica


Para o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e do Banco Central, Luiz Carlos Mendonça de Barros, para entender o cenário vivido hoje pelo Brasil é preciso desvincular a crise política e econômica. Segundo ele, é preciso acabar com o estigma de que o país vive "a maior crise da história" e que a recuperação e um sonho distante. "É importante percebemos que a crise de agora é diferente das anteriores, pois é cíclica, de excesso de crescimento", avaliou Mendonça em palestra nesta manhã (9), durante a 25ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento.Alex Régis
Ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros falou sobre expectativas para futuro da economia
Ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros falou sobre expectativas para futuro da economia
Na palestra "Perspectivas do Brasil diante da crise", o economista, formado pela Unicamp, ressaltou que a sinalização de uma mudança na política fiscal do Governo Federal já mostra a adoção de medidas que possibilitem a reconstrução do setor produtivo. A recessão que alcançou o país, segundo Mendonça de Barros, está relacionado ao esgotamento de uma política de crescimento.

"Houve um esgotamento do ciclo de crescimento associado às commodities, ligado à China, e à falta de percepção do governo de plantão de tomar as medidas: subir juros, diminuir o gasto público. Até porque era a melhor forma de se preparar para o ciclo eleitoral de 2014. Ela [presidente Dilma Rousseff] fez o contrário, tentando esticar o ciclo de crescimento, e aí colheu o pior dos mundos: logo depois da eleição, terceirizou o ministério da fazenda. Este ciclo, que deveria ser entendido como uma correção natural, acabou sendo visto como uma crise interminável", apontou o ex-ministro de Comunicações.

Embora não espere uma recuperação imediata em 2016, o economista ressalta que a indústria e o turismo têm boas chances de movimentar o país no próximo ano, com o aumento do dólar. 

O diferencial da atual crise, de acordo com Luiz Mendonça de Barros, é que mesmo com a recuperação econômica, o ciclo político do PT se encerrará. Com o fim do crescimento e os erros na condução da política econômica, o partido não teria mais condições de se manter no governo. Aliado à isso, segundo o economista, o aumento do contingente de brasileiros no mercado de trabalho formal -- 70% da masse trabalho -- dará uma guinada no posicionamento do brasileiro, que deve se tornar mais conservador.

"A crise política é mais o fim de um ciclo de hegemonia política.  Haverá o fim da hegemonia do PT, lastreada em uma política de consumo e estabilidade. Vamos separar um pouco a crise política da econômica. A econômica é corriqueira e você consegue explicar: automóvel caiu 50% porque tinha excesso de crédito, mas daqui a três ou quatro anos vamos ter o mesmo volume de vendas", avalia. "Agora, o fim da hegemonia política me parece uma coisa mais complexa, pois cria um vácuo, até que se crie uma nova hegemonia. E o que parece mais claro é uma aliança entre PMDB e PSDB, criando um novo normativo de comportamento que estará muito mais à direita no que se fala em valores sociais e na forma de olhar o governo", acrescenta.

Mesa redonda

Após a palestra, Luiz Mendonça de Barros participou de uma rodada de debates com a jornalista Eliane Cantanhêde, mediada pelo presidente da Fiern, Amaro Sales. A programação do Motores do Desenvolvimento ainda segue, com palestra dos secretários de planejamento Gustavo Nogueira, do Estado, e Virgínia Ferreira, do Município.

Tribuna do Norte

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