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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Gasolina já está R$ 0,20 mais cara


O reajuste nos preços da gasolina nos postos de combustíveis, em Natal, foi em média de R$ 0,20 e não chegou a ser aplicado de forma simultânea nem linear. Em sete estabelecimentos visitados pela reportagem, quatro ainda praticavam os preços anteriores ao reajuste anunciado na quarta-feira pela Petrobras – que foi de 6% para a gasolina e de 4% para o óleo diesel. Nos outros três, o litro da gasolina comum variava entre R$ 3,549 e R$ 3,579. O tipo “aditivada” variava ontem entre R$ 3,669 e R$ 3,679 o litro.Emanuel Amaral
O litro da gasolina comum variava ontem entre R$ 3,549 e R$ 3,579, em alguns postos. A “aditivada” ia de R$ 3,669 a R$ 3,679, o litro
O litro da gasolina comum variava ontem entre R$ 3,549 e R$ 3,579, em alguns postos. A “aditivada” ia de R$ 3,669 a R$ 3,679, o litro
Um posto da bandeira BR, na Zona Sul de Natal, tinha os maiores preços e o reajuste foi aplicado às bombas ainda na tarde da quarta feira. O gerente não quis falar com a reportagem, alegando “normas internas da empresa”, mas os frentistas comentaram o impacto do reajuste junto aos clientes. “Estamos ouvindo muitas reclamações, mas por enquanto o movimento não diminuiu”, disse um deles, pedindo para não ser identificado. No posto São Luis II, localizado na avenida Prudente de Moraes, o chefe de pista Pedro Felipe espera queda nas vendas. 

“Não é só o reajuste. É a crise econômica que está atingindo todos os setores”, avalia Pedro Felipe. O posto mantem uma carteira de clientes fixa, através de contratos com empresas para o abastecimento de frotas. “A queda entre esses clientes foi menor. Mas, clientes privados que costumavam abastecer valores maiores agora pedem apenas 20 ou 10 reais por vez”, acrescenta ele. Em outro posto da rede São Luiz (a bandeira  é da Shell), os preços ainda eram R$ 3,369 para o litro da gasolina comum e R$ 3,3469 para a gasolina aditivada. Mas, isso era porque o estoque ainda era velho. Na manhã de hoje, o novo estoque deve chegar com os preços novos.

Entre os motoristas, a prática de “encher o tanque” que já era incomum vai ficar mais rara com os novos preços. Ontem a tarde, a médica Conceição Varela abastecia o carro com R$ 50,00. A luz de alerta do tanque já estava no vermelho. Saiu do posto com pouco mais de 14 litros de gasolina comum. Antes do reajuste, pelo mesmo valor, teriam sido cerca de 15 litros. O carro é usado por ela e dois filhos e a recomendação para eles vai ser “rodar menos”.

Aumento
Na quarta-feira, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos/RN), Antonio Sales, ressaltou que o preço no estado é livre e decidido por cada posto, mas estimou que o reajuste pode ser maior que o anunciado para as refinarias. "Não tenho como estimar um valor médio ou uma data de quando o reajuste chegará às bombas, porque isso depende da negociação de cada empresário com sua companhia distribuidora. Mas há a possibilidade do aumento ao consumidor ser maior do que o nas refinarias porque ali não está incluso o reflexo dos impostos", disse. Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado pela Petrobras, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o estadual ICMS. E a possibilidade de aumento desses dois tributos também poderá elevar o peso para o consumidor.

“Há confirmação de que o Governo Federal reajustará a Cide da gasolina dos atuais R$ 0,10 por litro para R$ 0,60. E no Rio Grande do Norte ainda há o risco do aumento do ICMS, caso o projeto de ajuste fiscal do Governo do Estado seja aprovado na Assembleia Legislativa. Pela proposta, o aumento do ICMS de gasolina e álcool passaria de 25% para 27%”, observou o Sindipostos, em nota à imprensa.

O último reajuste de preços de combustíveis aplicado pela Petrobras foi anunciado em novembro e gerou, na época, impacto entre 2% e 2,5%. A decisão sobre o atual reajuste foi tomada pela empresa na noite de terça-feira, após reunião em que a pauta principal foi a frágil Analistas não esperavam um reajuste neste ano, apesar da fragilidade da companhia. A avaliação é que o cenário político instável, a baixa popularidade do governo e a crise econômica retardariam a decisão. 

Combustível ainda compensa mais que o etanol
Apesar do aumento, a gasolina continua sendo mais vantajosa para quem dirige veículos “flex”. Para saber qual combustível é mais vantajoso o consumidor deve dividir o preço do etanol pelo da gasolina e multiplicar por 100. Se o resultado for igual ou inferior a 70 é melhor optar pelo etanol. Caso contrário, é melhor abastecer com gasolina. No RN, o resultado desta conta é, atualmente, 75,35%, considerando o preço  de R$ 3,57 para a gasolina e de R$ 2,69 para o etanol.

A vantagem da gasolina, porém, está diminuindo. Em maio deste ano, por exemplo, o resultado desta conta estava em 79%,  considerando o preço médio de R$ 3,311 para o litro da gasolina e de R$ 2,627 para o etanol. Em fevereiro, o resultado estava em 0,80, levand-se em conta o preço médio de R$ 3,273 para a gasolina e de R$ 2,621 para o valor do etanol.

Reajuste eleva projeções para inflação
Do Estadão Conteúdo

A alta do dólar chegou ao orçamento das famílias ao primeiro minuto de quarta-feira, 30, com o reajuste pela Petrobras do preço da gasolina e do óleo diesel nas refinarias. O repasse para o consumidor foi imediato. Logo pela manhã, os motoristas tiveram de pagar de R$ 0,17 a R$ 0,20 a mais pelo litro da gasolina. O aumento era o empurrão que faltava para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar acima de 10% este ano e voltar à casa dos dois dígitos pela primeira vez desde dezembro de 2002 (12,53%). 

"Com o aumento da gasolina, finalmente podemos dizer que o repasse do dólar começou de fato a ser repassado para a inflação", afirmou o economista da PUC-RJ e membro do Conselho do IBGE, Luiz Roberto Cunha. Para ele, antes não era possível perceber claramente a contaminação da economia pelo câmbio mesmo em produtos com matéria-prima importada, como nos segmentos de limpeza e higiene. 

Luiz Roberto trabalha, agora, com estimativa de inflação na casa dos 10% até o fim do ano, muito acima do teto da meta fixada do governo para o IPCA, de 6,5%. Em relatório distribuído aos clientes, o banco Credit Suisse já revisou para cima suas projeções, de 9,5% para 10%.

O economista lembra que o diesel é usado em toda a cadeia produtiva, como no transporte rodoviário de cargas, que afeta a inflação de alimentos. Pelas contas da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o aumento no diesel de 4% vai deixar o transporte rodoviário de cargas de 0 46% a 1,41% mais caro. O impacto deve ser maior no frete de longa distância, de 2.400 km, que deve registrar alta de 1,38%. 

Já o economista da FGV André Braz diz que a retração da economia pode adiar um pouco o impacto do reajuste na gasolina sobre a cadeia produtiva. "Com a redução na demanda, o efeito vai se espalhar pelo tempo. Mas, em algum momento, isso se transforma em repasse", admitiu. Em sua opinião, há chances de o IPCA fechar o ano acima de 10%, mas não é certo que isso aconteça por causa da recessão.

Tribuna do Norte

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