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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Os impactos do “rebaixamento”


São Paulo (AE) – O Brasil perdeu esta semana o chamado “grau de investimento”, uma espécie de selo de bom pagador que dá confiança aos investidores para aplicarem o dinheiro num País. Em decorrência disso, cresce o coro entre os especialistas de que o investidor deve ficar mais conservador em suas aplicações financeiras, apostando suas fichas na renda fixa.

"A classificação (por agências de risco) só chancela o que já está acontecendo, gritando ainda mais no ouvido do investidor o que ele deveria fazer nesse momento", afirma Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper. "Temos um cenário que é favorável para o investidor ficar mais conservador - ainda não está na hora de fazer apostas", diz.

Num cenário de alta taxa de juros, com a Selic a 14,25% ao ano - maior patamar desde julho de 2006 -, a renda fixa se torna atrativa pela boa rentabilidade a um baixíssimo risco. Entre as aplicações, especialistas destacam os títulos pós-fixados, atrelados a um indexador, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou a Selic. 

"Os indexados ao CDI - LCI, LCA, CDB e LC - são uma ótima opção", diz Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest. Para o pequeno investidor, com quantias menores, ele indica o título público Tesouro Selic, pois acredita que o rebaixamento do País pela agência aumenta a pressão para que o Banco Central volte a elevar os juros em breve.
Divulgação
O dólar engatou novas altas, na esteira do rebaixamento da nota do Brasil: Especialistas também desaconselham investimento
O dólar engatou novas altas, na esteira do rebaixamento da nota do Brasil: Especialistas também desaconselham investimento 

Viriato também indica os pós-fixados, conforme a necessidade do prazo de resgate. "O investidor que tem despesas no curto prazo pode aplicar nos ativos referenciados ao CDI", afirma o professor. "Aos que já estão pensando na aposentadoria, se configura uma oportunidade de comprar títulos referenciados à inflação, que estão com taxas de juros reais muito atrativas", diz. 

Na última quinta-feira, 10, títulos do Tesouro Direto indexados ao IPCA com vencimento em 2035 eram negociados por 7,57% ao ano mais o IPCA futuro. Em agosto, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 9,53%. "O importante é sair da poupança, que ficará bem abaixo da inflação neste ano", diz Calil.

Bolsa

Apesar de o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) - considerado o termômetro do mercado acionário brasileiro - ainda estar em patamares considerados baixos, especialistas indicam que não é a hora de arriscar. "No atual cenário desafiador da economia, em que as empresas estão perdendo resultado, arcando com custos maiores e tendo receitas menores, os preços das ações tendem a cair", afirma Viriato.

Especialistas também desaconselham investimento em dólar, pois traz um alto risco para um ganho pequeno. "Para quem tem alguma despesa ou algum passivo em câmbio, é importante se proteger em algum instrumento cambial. Para quem não tem, apostar em alta é muito arriscado, pois ele já subiu muito", diz Viriato.

Saiba mais

A agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) retirou do Brasil o grau de investimento, que o país havia conquistado em 2008. Um dos reflexos da decisão foi a alta do dólar. Mas esse não é o único impacto. 

O Brasil agora entrou para a categoria de país com risco especulativo, o que vai encarecer o custo de financiamento das empresas brasileiras e obrigar muitos investidores estrangeiros a se desfazerem de suas aplicações do País. A S&P rebaixou o rating do Brasil de BBB- para BB+ e manteve a perspectiva negativa da nota. 

O grau de investimento funciona como um atestado de que os países não correm risco de dar calote na dívida pública. Uma avaliação positiva faz um país e suas empresas levantarem recursos no mercado internacional com custos menores e melhores condições. Da mesma forma, atrai investimentos estrangeiros. Fundos de pensão estrangeiros só investem em países com grau de investimento. A Petrobras e outras empresas também viram suas notas piorarem. No caso da Petrobras, também houve perda do grau de investimento.

Tribuna do Norte

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