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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Maioria tem dificuldade para pagar


Brasília (Abr) - Pelo menos 89% dos brasileiros dizem estar em dificuldade para quitar suas dívidas. Para solucionar seus problemas de endividamento, 20% dos entrevistados disseram ter vendido algum bem nos últimos 12 meses. Em parte, isso é explicado pela percepção de queda da renda com perda do poder de compra, apontados pelo estudo Retratos da Sociedade Brasileira – Renda e Endividamento, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).Aldair Dantas
Segundo estudo, 42% dos brasileiros consideram que sua renda diminuiu nos últimos 12 mesesSegundo estudo, 42% dos brasileiros consideram que sua renda diminuiu nos últimos 12 meses
Segundo o levantamento, 42% dos brasileiros consideram que sua renda diminuiu nos últimos 12 meses. Deste total, 22% avaliam que a renda caiu muito e 20% dizem acreditar que a renda diminuiu pouco. No mesmo período, 59% perceberam piora no poder de compra.

Quanto menor a renda familiar, maior a percepção de que sua renda foi reduzida ao longo do tempo – no caso, essa é a situação em que se encontram 35% das pessoas com renda familiar superior a cinco salários-mínimos, e 46% dos com renda familiar inferior a um salário-mínimo.

No que se refere ao poder de compra, 59% dos entrevistados disseram ter percebido piora ao longo dos últimos 12 meses – para 34% a sensação é de muita perda, enquanto para 25% a sensação é de pouca perda.

Os moradores do Sudeste e do Sul do país são os que mais sentiram o problema -  65% dos entrevistados em cada região. Os do Nordeste foram os que menos perceberam a queda do poder de compra (51%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o índice está em 56%.

BOLSO APERTADO
34% Dos brasileiros ficaram mais endividados nos últimos 12 meses.
37% Das mulheres disseram ter sido atingidas pelo problema.
32% Foi o índice de homens na mesma situação.
53% Dos entrevistados que disseram ter mais dívidas avaliam que isso aconteceu sem planejamento, em função de alguma dificuldade ou necessidade não prevista. 
82% Das dívidas foi em decorrência do aumento das despesas 
43% Foi devido à redução da renda, segundo os entrevistados

Dificuldade
Com a perda do poder aquisitivo, 29% disseram ter sentido dificuldade para pagar aluguel ou prestação da casa própria. Em setembro de 2012, o índice correspondia a 19% e, no mesmo mês de 2013, a 16%. Entre os entrevistados na atual pesquisa, 57% disseram não ter dificuldades com esse tipo de dívida – percentual inferior aos registrados em 2012 (67%) e 2013 (76%).

De acordo com a pesquisa, esse tipo de dificuldade atinge mais intensamente aqueles que vivem em cidades com mais de 100 mil habitantes (31%), do que os que moram em municípios com até 20 mil habitantes (23%). Mas 60% das pessoas dizem ter passado por dificuldade para pagar as contas ou compras a crédito. Em 2012 o percentual estava em 45% e, em 2013, 47%.

A expectativa para 45% dos entrevistados é que, nos próximos seis meses, a renda não sofrerá alterações. No entanto, 37% acreditam que ela diminuirá e 14% que a renda aumentará. De acordo com a CNI, a preocupação em perder o atual padrão de vida atinge 83% dos entrevistados em 2015. Em 2009 o índice estava em 90% e, em 2012, 76%.

A pesquisa identificou que 37% dos entrevistados se endividaram nos últimos 12 meses com o objetivo de cobrir despesas ou as de sua família. Em 2012, 30% deles se encontravam nessa situação, passando a 34% no ano seguinte.

O pagamento de dívidas anteriores foi o fator que mais contribuiu para o aprofundamento das dívidas dos brasileiros nos últimos 12 meses, correspondendo a 30% das citações. Em segundo lugar estão os pagamentos de gastos correntes da casa, como aluguel, água, luz, telefone e compras do mês, com 28% de registros.

A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira – Renda e Endividamento entrevistou, entre os dias 18 e 21 de julho, 2002 pessoas em 141 municípios. A CNI divulgou também uma outra frente da pesquisa, na qual aborda questões relativas ao mercado de trabalho.

Cenário leva a  mudanças no consumo
A pesquisa ainda mostra que 57% dos brasileiros alteraram hábitos de consumo ou planejamento financeiro em função da crise e que outros 21% disseram que pretendem alterar. O estudo mostra por exemplo, que 16% das pessoas mudaram de residência para reduzir custos e 13% tiraram os filhos de escola privada para escola pública nos últimos 12 meses. 

Segundo a pesquisa, mais brasileiros estão ajustando seus hábitos do que na crise de 2008/2009, quando 30% disseram ter ajustado seus hábitos e no máximo 27% pretendiam alterar. 

"A crise de 2008/2009 afetou particularmente a indústria, mas o consumo doméstico ainda estava em crescimento e ajudou na recuperação. Já a crise atual atinge toda a economia e vem afetando o emprego e a renda da população bem mais significativamente. 

Tanto o investimento como o consumo das famílias estão diminuindo. Além disso, a crise política, que não existia na crise anterior, tem aumentado a incerteza com relação à recuperação", disse o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

Tribuna do Norte

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