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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Desaceleração fecha lojas nos bairros comerciais


Portas fechadas e placas de “aluga-se” passaram a integrar o cenário dos maiores bairros comerciais de Natal — Alecrim e Cidade Alta — desde o início deste ano. Com a crise econômica brasileira e redução do poder de consumo, a queda nas vendas chegou a até 30% durante o primeiro semestre, segundo comerciantes. A perspectiva para o movimento do final do ano também não é a animadora. Com a proposta de aumento de 1% na alíquota do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), o setor prevê crescimento entre 2% e 2,5% no preço do produto para o consumidor final.Ana Silva
O vendedor Mário Sérgio Alves lamenta a declínio do comércio na avenida Amaro Barreto
O vendedor Mário Sérgio Alves lamenta a declínio do comércio na avenida Amaro Barreto
O novo pacote fiscal foi apresentado pelo Governo do Estado na última quarta-feira (23), à Assembleia Legislativa. Com a proposta, a alíquota modal do ICMS sobe para 18%; no caso de combustíveis e comunicações, sobe para 27% e 28%, respectivamente. Para o presidente da Associação de Empresas do Bairro do Alecrim, Demerval Sá, o reajuste não traz boas perspectivas para o comércio no final do ano. “Mais imposto numa hora dessas? Se fosse em um período normal, o comércio absorveria, mas vivemos um momento crítico”, analisa o comerciante, proprietário das Casas Sarmento. De acordo com Demerval Sá, a redução do comércio no bairro em agosto variou entre 10% a 20%, de acordo com o segmento. “Compras a médio e longo prazo, como móveis, eletrodomésticos sofreram mais. Automóveis, acredito eu, está enfrentando uma das piores épocas”, considerou.

Na avenida Amaro Barreto, a reportagem encontrou quatro lojas fechadas e com placas de “aluga-se” em menos de 50 metros. A vendedora Marly Ferreira (50), trabalha há 15 anos no bairro e diz numa ter enfrentando uma crise como a de 2015. “Reduzimos o quadro de funcionários de quatro para duas vendedoras, porque não dá para alimentar todo mundo”, explica. O vendedor da Mário Sérgio (49), concorda. “O comércio aqui era muito bom, mas hoje em dia está morto. Todo mundo vende pouco”, pontua.

Mesmo nas vias onde o comércio é mais intenso, como na avenida Rio Branco, na Cidade Alta, os lojistas reconhecem a dificuldade em vender o estoque. A maior parte dos consumidores tem preferido comprar durante época de promoções, e só depois de muita pesquisa. Kátia Lúcia (38) é gerente da loja Thiago Calçados Confort, na avenida João Pessoa. A rede mantinha uma loja de ponta estoque ao lado, mas fechou há poucas semanas. “Nos pediram para fechar para balanço, mas até agora não fizemos nada. Mesmo com preço de R$ 20 não estava dando movimento”, lamenta a vendedora. 

Mesmo as empresas já consolidadas, como a loja de tecidos Britos, na avenida Princesa Izabel, não vê melhorias até o final do ano. De acordo com a vendedora da loja, Débora Fonseca, ainda não há perspectiva, por exemplo, de contratações para as vendas de final do ano. “Como temos muitas peças que vêm de fora, se o dólar está em alta, temos que aumentar o preço. Há algumas que nem conseguimos colocar para a venda porque a variação no é muito alta”, afirma.

Enquete: O que você acha do aumento do ICMS?

Demerval Sá, proprietário das Casas Sarmento
“Lamento que o governo só pense como solução o aumento dos impostos. A cada 1% de aumento do ICMS é 2,5% de aumento para o consumidor final. Estamos torcendo por outra alternativa.”

Manoel Bezerra, proprietário da Manchete Calçados
“Você escuta o governo Federal e Estadual dizer que vai aumentar imposto, mas quem vai pagar a conta é o povo. O problema do ICMS são é a alíquota, mas a falta de fiscalização.”

Fabiana Farias, servidora pública e consumidora
“Com certeza um aumento de imposto vai afetar o preço do produto. Eu já tinha reduzido e muito as minhas despesas com coisas supérfluas, e agora ainda mais.” 

Luiz Farias, comerciante do Alecrim
“O pior para nós é que o transporte já impacta quando compro fora, mas eu não posso passar (o aumento) para o consumidor, se não ele não compra.”

João Maria Oliveira, dono de restaurante no Alecrim
“Aqui no Alecrim a gente tem que segurar muito quando sobe o preço da mercadoria. Mas com o imposto tem que mexer no preço em pelo menos R$ 1, e aí cai a venda.”

Tribuna do Norte

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