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sábado, 18 de julho de 2015

Politica: Cientistas avaliam impacto da crise após rompimento


Brasília (ABr) - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já havia ameaçado romper com o governo da presidenta Dilma Rousseff, caso não fosse preservado na Operação Lava Jato, de acordo com avaliação feita ontem pelo cientista político Antônio Flávio Testa, da Universidade de Brasília (UnB). “Com o recrudescimento da crise e das dificuldades de relacionamento entre PMDB e PT, ele fez o anúncio de rompimento formal”, afirmou. Pela manhã, Cunha anunciou rompimento político com o governo federal.Wilson Dias/abr
Crise pode se agravar com manobras na Câmara para votar impeachment da presidente Dilma
Crise pode se agravar com manobras na Câmara para votar impeachment da presidente Dilma

Segundo Antônio Testa, Cunha é o terceiro na linha de sucessão presidencial e, por isso, exerce uma influência muito grande. "É a primeira vez que vejo um presidente da Câmara tão independente. Ele coloca em discussão projetos que não são de interesse do Executivo”, explicou. Para o cientista, ele pode, inclusive, colocar em discussão o processo de impeachment da presidente Dilma.

David Fleischer, professor emérito da UnB, lembrou que não é a primeira vez que o governo perde apoio do Legislativo. “Isso aconteceu também com Fernando Collor, que não tinha maioria na Câmara e no Senado. Entretanto, não foi tão agudo, público e tão badalado.”

Fleischer argumentou que o rompimento é uma estratégia de defesa de Cunha. “Ele está se sentindo pressionado, porque foi denunciado. Se o Supremo Tribunal Federal aceitar a denúncia, ele será afastado da presidência da Câmara. É por isso que ele está atacando o procurador-geral, a Polícia Federal e o Ministério Público.”

Antônio Testa esclareceu que a situação do governo e do presidente da Câmara não é das melhores. "As denúncias envolvendo o nome dele na Operação Lava Jato são muito negativas, porque, dentro do próprio PMDB, não há um consenso sobre sua atuação."

Na análise, Testa adiantou que agosto será um mês de crise na política e que questões das mais variadas podem vir à tona. "A Operação Lava Jato, dependendo do que for investigado e descoberto, pode trazer consequências nefastas para a política brasileira”, destacou. Fleischer lembrou que Cunha tem muito apoio na Câmara para confrontar a presidente Dilma, mas acredita ser muito difícil que o PMDB rompa totalmente com o governo.

Eduardo Cunha anunciou o rompimento com o governo a poucas horas de fazer um pronunciamento em cadeia nacional de TV, ontem à noite. O anúncio ocorreu um dia após ele ter sido citado pelo empresário Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato. Segundo depoimento, Cunha teria pedido US$ 5 milhões em propina.

Depois da decisão, o presidente da Câmara disse que, como político, tentará no Congresso do PMDB, em setembro, convencer a legenda a seguir o mesmo caminho. Cunha informou que, apesar da posição, manterá a condução da Câmara dos Deputados "com independência".

Em depoimento na quinta-feira ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, Júlio Camargo afirmou que o deputado recebeu US$ 5 milhões em propina para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras para a empresa Toyo Setal. Ontem cedo, Cunha reafirmou que há uma tentativa por parte do governo de fragilizá-lo. "Está muito claro para mim que esta operação [Lava Jato] é uma orquestração do governo."

Tribuna do Norte

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