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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Dilma reconhece que 2015 será um ano perdido


Brasília (AE) - Em esforço para tentar garantir a governabilidade de uma gestão abalada pelas crises política e econômica, baixos índices de aprovação e ameaça de impeachment, a presidente Dilma Rousseff convocou ontem os governadores de todo o País para ajudá-la a desarmar uma série de bombas fiscais que aumentam os gastos públicos federais e provocam efeito cascata nos estados. Em reunião no Palácio da Alvorada, que durou mais de três horas, a presidente fez uma mea-culpa em relação à crise, avisou que sabe “suportar pressão e até injustiças”, fez uma defesa enfática da democracia e destacou que tem “humildade” para receber críticas. Durante seu discurso de mais de meia hora, Dilma usou 27 vezes a palavra cooperar ou falou em cooperação.Ichiro Guerra/ABR
Dilma abre reunião apresentando balanço sobre conjuntura em que reconhece momento difícil
Dilma abre reunião apresentando balanço sobre conjuntura em que reconhece momento difícil
“Essa é uma reunião que tem um papel muito importante nos destinos e na condução dos caminhos do Brasil. Eu acredito que nós temos um grande patrimônio em comum, expresso no fato de todos nós termos sido eleitos num processo democrático bastante amplo no nosso país. E todos nós temos, então, esse dever em relação à democracia, ao voto democrático e popular”. Com esta fala, a presidente Dilma mandou um recado a setores da oposição que se mobilizam para afastá-la do cargo, ainda que sem fazer referência explícita ao impeachment ou pedir apoio político diretamente ao seu governo.

Ao fazer um balanço da conjuntura econômica, a presidente reconheceu que “sabe que o nosso povo está sofrendo” e “muita coisa tem de melhorar”. Em apelo direto aos governadores, em busca de uma saída para a crise, a presidente fez questão de mostrar que estados e União estão no mesmo barco e precisam se ajudar mutuamente para vencer as adversidades. “Eu não nego as dificuldades, mas eu afirmo que nós todos aqui, e o governo federal em particular, tem condições de superar essas dificuldades de enfrentar os desafios e, num prazo bem mais curto do que alguns pensam, voltar a ter, assistir à retomada do crescimento da economia brasileira”, declarou ela, acrescentando que “não podemos nos dar ao luxo de ignorar a realidade”. 

Dilma sinalizou que 2015 será uma espécie de ano perdido ao fazer todas as projeções de melhoria econômica apenas para 2016 e dizer que este é um ano de “travessia”. Avisou, no entanto, que não lhe falta “energia e determinação” para superar os problemas. Em seguida, a presidente voltou a defender a necessidade de integração entre governos estaduais e federal. “Nós devemos cooperar cada vez mais, independentemente das nossas afinidades políticas. A cooperação federativa é uma exigência constitucional, é uma exigência da forma como nós organizamos o Estado e a sociedade brasileira. Nós também devemos respeitar a democracia e devemos somar forças e trabalhar para melhor atender a população”, disse Dilma, lembrando que essa cooperação tem de ser feita,”independentemente da nossa afinidade política”. Em seguida, a presidente apelou: “eu conto com vocês. Agora quero dizer, assim, do fundo do coração: vocês podem contar comigo. Vocês podem contar comigo”. 

Para mostrar que está atenta aos reclames da ruas, a presidente fez questão de dizer que “tem ouvido e coração abertos” e reconheceu que as queixas existem porque “esse novo Brasil que cresceu, e se desenvolveu e que não se acomoda”. Pouco antes, a presidente lembrou que a situação do País hoje é diferente e menos favorável do que na época da campanha e de quando todos assumiram os governos. Ressalvou, no entanto, que “a economia hoje é bem mais forte, mais sólida e mais resiliente” de quando se enfrentou outras crises.

Tribuna do Norte

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