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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Banco do Brasil: “Acabamos não sofrendo tanto o impacto da crise”


Em meio à um cenário de alta de juros, maior número de desempregados e crise na economia brasileira, o Rio Grande do Norte vive um momento onde não faltam recursos para as atividades produtivas e a procura por crédito de pessoas físicas é crescente.Alex Regis
Raimundo Perez Ferraz Júnior - Superintendente do Banco do Brasil no Rio Grande do NorteRaimundo Perez Ferraz Júnior - Superintendente do Banco do Brasil no Rio Grande do Norte

O prognóstico é do superintendente do Banco do Brasil no Estado, Raimundo Perez Ferraz Júnior. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Ferraz, que assumiu a superintendência em abril passado, falou sobre o atual cenário das taxas de juros e financiamentos, inclusive imobiliários, que, segundo ele, estão em expansão. Questionado, falou ainda sobre o Minha Casa Minha Vida no estado.


Em julho, os juros atingiram a  maior taxa média desde novembro de 1995, com um aumento de 10,34% para 10,53%.  De que forma isto impactou? 
Eu acho que é importante compreender a utilidade das linhas de crédito. Cheque especial é uma linha para curtíssimo prazo, para aquelas despesas não previstas e não planejadas.  Não tem a finalidade de financiar nem a pessoa física nem a jurídica. É uma linha que como não tem lastro garantidor, o seu custo a tendência é ser maior. Por outro lado incentiva as pessoas a buscarem financiamentos mais compatíveis com a capacidade de pagamento e fluxo de caixa.

Houve redução neste procura? 
Não. Não houve nenhuma movimentação significativa nesta linha de crédito, de cheque especial.

Esta é a tendência também para o restante do ano? 
O cenário indica uma cautela maior na questão dos créditos. 

Isso, em termos de Rio Grande do Norte, há alguma diferença para o Brasil? 
Não, absolutamente, porque a política de toda a empresa é parametrizada em todo o país. A mesma taxa praticada aqui são praticadas, por exemplo, no Rio Grande do Sul. 

A taxa média de empréstimo pessoal também teve aumento. Entra nisso que tu falaste, sobre ter uma curto prazo de utilização? 
Existe uma demanda forte pelo crédito e financiamento da dívida de custeio das pessoas. Não há uma elevação do consumo, mas, há uma necessidade de se autofinanciar. Isso faz com que, de certa forma, o custo do dinheiro aumente. Existe um esforço grande do Governo em conter excesso de gastos de consumo, para segurar um pouco a inflação, e isto faz com que o custo do dinheiro se eleve um pouco mais do que estávamos acostumados, até o ano passado.

Estas seriam as duas linhas de créditos mais procuradas pela pessoa física? 
Sim. Pela facilidade do crédito, pela disponibilidade rápida.

Mas, nesta retração de consumo que está ocorrendo, de que forma isto impacta no dia-a-dia do banco? 
Existem duas formas de enxergar este momento. Tem o viés dos que acreditam estar vivendo uma crise e outros que acreditam viver uma oportunidade. Recentemente, em contato com alguns empresários, a gente percebe que muitos tem procurado aproveitar o momento para fazer investimentos, apostando em recuperação nos próximos meses. A questão vai muito do apetite, tanto do consumidor, quanto do investidor, no sentido de enxergar este momento como oportunidade ou não. 

Em números, a procura por créditos para pessoa jurídica está maior do que para pessoa física?
Este ano a gente percebe uma estagnação no mercado de pessoa jurídica. A demanda está estável. Não houve um incremento de demanda. O mesmo a gente não observa na pessoa física. E é curioso isto. A pessoa física está procurando recursos e os empresários não estão investindo em aumentar a oferta. Daí a percepção nossa que não é um aumento de consumo, é um autofinanciamento. Eu já tenho um financiamento e estou trocando está divida por outra em função de prazos, em função de taxas.

Dá pra criar um paralelo com as taxas mais altas de desemprego?
Eu acho que tudo é convergente para explicar um pouco a situação.

Essa procura por linhas de créditos para pessoa física não poderia resultar em endividamentos? Pelo atual cenário econômico. Já há algum cenário disto?
Não. A inadimplência está absolutamente controlada. Não é algo que nos preocupa no momento. Não há nenhum indício que isto provoque algum risco, alguma bolha. 

Dentro de tudo que foi dito. O Rio Grande do Norte, dentro do Banco do Brasil, em arrecadação, metas, como está perante o restante do país? 
É um dos Estados que tem uma representatividade significativa. Não está em um patamar de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, mas, está num patamar, eu diria, intermediário. Uma boa representatividade no resultado da empresa. 

Quais seriam os pontos fortes do Rio Grande do Norte?

Nós temos um atendimento muito forte ao servidor público, pelos relacionamentos que nós temos. O portfólio de crédito do banco, como eu falei antes é parametrizado, então, ele atende todas as regiões do país. Mas, eu acredito que grande diferencial do Rio Grande do Norte, que poderíamos citar, é que não há falta de recursos para investimentos, seja na área de pessoa física quanto no segmento de pessoa jurídica.  

Em questão de saques de poupanças, estas ações têm batido recordes, com perda de captação líquida. Qual o cenário disto no Banco do Brasil?
 Este é um dado interessante. No mês de junho, o Banco do Brasil teve uma captação líquida próxima de R$ 2 bilhões. Quando se faz uma boa consultoria, se presta uma consultoria para um cliente, existe a possibilidade de reversão. Eu não sei exatamente qual a razão desta retirada que observamos no país, mas, o movimento foi inverso no banco. 

Esta captação líquida, foi só em junho que teve este aumento? Está melhor que o ano passo?
O semestre inteiro. De janeiro a junho, a gente conseguiu uma boa arrecadação. Em relação ao ano passado, não sei te precisar. Acredito que não, porque existe, houve um receio, neste ano, mas, ainda assim, foi um bom resultado ter uma captação liquida nessa faixa.

A perspectiva é que isto se repita no segundo semestre? 

A tendência é que a gente continue trabalhando na captação deste produto. 

Estes aumentos de taxas, quase todos são justificados com o aumento da Selic. Tem alguma maneira de reduzir estes aumentos no banco? Ou neste momento é muito difícil falar em reduções?
Isto depende muito da política monetária do Governo Federal. O cálculo da taxa de juros ele obedece muito as metas a serem atingidas pelo Governo, então, ficamos dependentes deste movimento. 

As metas da empresa estão sendo atingidas? E para o segundo semestre?
Este semestre estamos aguardando a divulgação, o fechamento do balanço, mas, a expectativa é que, dentro do que se esperava, elas sejam atingidas. 

Já tem algum novo reajuste de taxas previsto? 
Não.

Mas também não é possível afirmar que não vá ocorrer?
Isto tudo vai depender do comportamento, da política, do mercado. É muito dinâmico. A cada reunião do Copom você tem uma expectativa diferente. 

Esse cenário passa um índice de confiabilidade econômica baixo? 
O cenário é de otimismo. Ainda estamos passando pelo momento mais difícil, mas ele já foi mais intenso. A tendência é de melhora e um 2016 menos turbulento. 

O fato de o RN não ser tão industrial, ser mais turístico e com servidores públicos, colabora para afastar a crise? 
Acredito que sim. Acabamos não sofrendo tanto o impacto da crise. Por um lado é ruim, porque há uma certa estagnação, mas, por outro, em um momento como este, acaba sendo favorável, porque abre margem para novos investimentos. Não houve nenhuma mudança em metodologia nossa de concessão de crédito. Pelo contrário, nós estamos investindo para que o crédito possa ser mais fácil. Recurso não falta. Lançamos recentemente o Plano Safra 2015/2016, com R$ 106 bilhões só no RN, valor maior que o ano passado. Então, não há nenhum receio em fazer operações e trabalhar a atividade econômica. 

Na questão dos financiamentos imobiliários, tivemos alguns aumentos de taxas. Houve redução nesta procura? 
Nossa cartela de imobiliária ela vem numa crescente interessante. O Banco do Brasil hoje, como um todo, já é a segunda maior cartela. E somos relativamente novos neste mercado. Aqui no Estado o cenário é de franca evolução. Hoje a nossa cartela está próxima de meio bilhão de reais. Nos últimos dois anos tivemos um incremento muito alto. Desses 500 milhões que temos hoje em financiamento imobiliário, diria que 40% disso aconteceu neste período. É um tipo de financiamento que as pessoas procuram muito.

As construtoras reclamavam de atrasos em repasses para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Como está a situação hoje? 
As construtoras reclamam do repasse do Governo, no programa. O banco, na verdade, é um executor do programa e não o gestor. O repasse das verbas é todo com o Governo, fazemos apenas a gestão do empreendimento. Não sei te dizer, com certeza, se há algum atraso ainda. Acredito que, haviam pendências, que foram solucionadas uma boa parte, mas, não sei precisar se isso foi 100%. 

Nesse quadro do MCMV, o que temos de diferente neste primeiro semestre? Há uma estagnação de novos projetos?
No MCMV, temos investido quase R$ 130 milhões em empreendimentos. São 4 mil unidades financiadas, entre 8 empreendimentos, em Natal, Mossoró, Assú. Tudo Faixa 1, com alguns já em fase de entrega. Acho que isso tudo está dentro desse momento de expectativa das pessoas, dos empresários, acaba afetando todos os segmentos de uma certa forma. O Minha Casa Minha Vida depende muito também do interesse dos municípios. 

Quando se fala em MCMV, as pessoas remetem muito à Caixa. Hoje, qual o papel do BB neste segmento?
A Caixa tem uma participação maior aqui no Estado, é a gestora do programa e iniciou estes empreendimentos. Então, existe sim uma predominância de investimentos da Caixa no Rio Grande do Norte. Mas, há outros Estados que esta relação é inversa.  

O BB fechou com lucro de quanto no ano passado? E a projeção para 2015? 
Ano passado foram R$ 11 trilhões, R$ 15 trilhões em 2013. É cedo para falar. Mas, creio que o resultado deste ano seja um pouco melhor que o ano passado. A gestão está mais eficiente, a inadimplência nossa está controlada, a atividade do crédito não diminuiu.

Tribuna do Norte

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