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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mudança provocará demissões em 54% das indústrias


A adoção de alíquotas mais altas de contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, proposta pelo governo, vai provocar demissões em 54% das indústrias, e 40% delas aumentarão seus preços, para compensar a elevação dos custos. Os dados são de pesquisa divulgada ontem pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Decomtec-Fiesp).

O levantamento mostra que 52% das pequenas empresas, 57% das médias e 54% das grandes terão que demitir, se houver perdas na desoneração. E a maioria das empresas que já analisaram as novas regras deve mudar a forma de calcular e recolher a contribuição previdenciária, passando a usar como base a folha de pagamentos (20% dos salários), em vez da receita bruta (2,5% do faturamento).
 Divulgação
Levantamento mostra que empresas terão que demitir, se houver perdas na desoneraçãoLevantamento mostra que empresas terão que demitir, se houver perdas na desoneração

O diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, afirma que o fim da desoneração vai deteriorar ainda mais a competitividade e a economia brasileira. "A indústria não vai aceitar mudanças na lei de desoneração. Já estamos pagando um preço muito alto. Qualquer mudança significa perda de empregos e isso só agravará o quadro de crise pelo qual estamos passando". 

Segundo a pesquisa, 37% das empresas vão reduzir suas margens de lucro, em vez de aumentar preços. As duas opções terão efeitos negativos, como a redução das vendas (apontada por 30% das empresas), a redução dos investimentos (29% das empresas), a perda de participação no mercado doméstico (18%) e a redução das exportações (5% das empresas).

 Perdas


A desoneração da folha de pagamento do setor industrial teve impacto positivo no nível de emprego de 60% das empresas, reduziu o custo de produção e permitiu o aumento do investimento, de acordo com a pesquisa. “Tudo isso deve se perder, caso o governo leve adiante sua proposta de mudar as regras”, afirma a Fiesp.

Em 42% das empresas a desoneração evitou demissões, e em 18% permitiu novas contratações. Mesmo nas empresas em que a desoneração da folha não interferiu no emprego houve efeitos positivos, com 44% delas relatando redução dos custos de produção, e 19%, ampliação dos recursos para investimentos.

A pesquisa mostra que 70% das empresas têm mais de 75% da produção beneficiada pela desoneração da folha, medida que foi muito bem aceita pelo setor industrial: 78% das empresas a avaliaram como ótima ou boa.

A pesquisa foi realizada em março e ouviu 339 empresas da indústria de transformação (167 pequenas, 131 médias e 41 grandes).

A espera de votação 
O projeto de lei que pretende reduzir desonerações concedidas a partir de 2011, no primeiro mandato da presidente Dilma, está à espera de votação na Câmara dos Deputados. A desoneração possibilitou a empresas substituírem a contribuição ao INSS – correspondente a 20% sobre a folha de pessoal – por uma taxação de 1% a 2% sobre o faturamento. O incentivo foi adotado para reduzir custos com a mão de obra e estimular a economia. Agora, dentro da estratégia para recobrar o fôlego financeiro do governo e o crescimento do país, o Planalto anunciou a intenção de mais do que dobrar as alíquotas, para entre 2,5% e 4,5%.  O projeto teve a votação adiada na Câmara, de maio para junho. Entidades representativas da indústria pressionam para evitar ou ao menos amenizar o impacto da medida, ao mesmo tempo em que o governo apela por uma votação rápida do projeto, apontado como “essencial” para financiar programas sociais, a exemplo do Minha Casa, Minha Vida. 

Tribuna do Norte

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