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terça-feira, 9 de junho de 2015

Meteorologia vê sinais de repetição do El Niño em 2016


A grande probabilidade do fenômeno El Niño estar atuante  no início de 2016, segundo apontam os principais centros de previsão climática do país, é um indicativo de mais um ano de seca para o semiárido do Nordeste. Embora ainda seja prematuro transformar essa informação numa previsão oficial para o próximo período de chuvas na região, meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) se mostram muito preocupados com a possibilidade de outro inverno fraco, sobretudo pelo fato da população estar enfrentando o quarto ano consecutivo de estiagem.Nelder Medeiros
No Seridó potiguar, além do açude Itans e da barragem do Assu, o Gargalheiras também está com nível de água comprometido
No Seridó potiguar, além do açude Itans e da barragem do Assu, o Gargalheiras também está com nível de água comprometido
Em 2015, o Ceará e o sertão do Rio Grande do Norte, assim como toda a parte norte da região Nordeste, sofreram influência negativa do El Niño. Entre fevereiro e maio deste ano, as chuvas ficaram concentradas principalmente na faixa litorânea, com índices bastante baixos no interior. Além disso, as precipitações dessa quadra chuvosa cessaram antes do tempo, com o distanciamento da Zona de Convergência Intertropical já no início de maio. 

Mais um ano de precipitações irregulares, como foi 2015, terá um impacto bastante negativo em diversos setores. Preocupação maior é com a recarga dos açudes, cujo nível só tem diminuído, em decorrência dos quatro anos consecutivos de seca. Dois dos maiores reservatórios do RN, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, em Assu, e o Itans, em Caicó, estão, respectivamente, com 28,88% e 8,64% de sua capacidade.    

“Com uma forte probabilidade do El Niño perdurar até o ano que vem, a previsão é de um inverno abaixo da média histórica. Embora ainda faltem seis meses para 2016, esse alerta é importante para o planejamento”, diz o meteorologista David Ferran, da Funceme, acrescentando que o El Niño é um fenômeno com razoável previsibilidade de médio prazo. 

Também meteorologista da Funceme, Raul Fritz informa que neste momento há indicativos de cerca de 80% de chance de atuação do El Niño no ano que vem. No entanto, ele observa que é cedo para emitir qualquer prognóstico sobre a quadra chuvosa do próximo ano, uma vez que ainda é necessário analisar a dinâmica de temperaturas do Atlântico Tropical.

Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, na maioria dos anos em que há atuação do El Niño — caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial — o período de maiores precipitações no Ceará e norte do Nordeste é irregular e tende a não atingir a média climatológica. 

Discordância
O meteorologista-chefe da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bistrot, entende a preocupação dos meteorologistas da Funceme em relação ao Ceará, onde a situação chega a ser ainda pior do que no RN, porém observa que o El Niño está numa condição de enfraquecimento.    

“Ele já atingiu seu máximo e está começando a declinar. Eu diria que em novembro ou dezembro nós teríamos já uma situação de normalidade no Oceano Pacífico. E quando analisamos outros aspectos, como a atividade solar, observamos que ela também já atingiu seu máximo em 2014 e 2015, começando a apresentar uma diminuição. Quando isso acontece, a projeção é de aumento de chuva aqui  para o Nordeste”, diz Bistrot.

Para o meteorologista, o alerta da Funceme faz sentido ao se observar as condições das reservas hídricas no Nordeste e mais particularmente no Ceará, uma vez que a população da região metropolitana de Fortaleza é abastecida por água de reservatórios da região semiárida, enquanto que as capitais do Leste do Nordeste (João Pessoa, Natal, Recife) são abastecidas por águas de lagoas do litoral. 

“A Funcene faz isso para dizer: Olha, nós estamos numa condição crítica. Se esse quadro do Pacífico continuar presente em 2016, teremos pouco retorno de água de chuva e 2016 e 2017 serão piores que 2015. Eles têm que fazer essa projeção aí pra começar a buscar alternativas de abastecimento, ou poderão ter um quadro sinistro. Diferente de Natal, Fortaleza não tem as chuvas do Leste, entre junho e julho; tem somente as do período entre fevereiro e maio, que foram comprometidas pelo fenômeno El Niño”, diz Bistrot, que opta pela cautela antes de fazer qualquer previsão.

“Para o ano que vem, só  arrisco a fazer uma previsão a partir de setembro, quando se tem uma situação estabelecida do fenômeno El Niño. Por enquanto, ele está oscilando muito, assim como no ano passado”.

Conteúdo: Tribuna do Norte

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