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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Vazão para irrigação está 75% abaixo do nível original


A maior vazão de água captada do açude Armando Ribeiro Gonçalves para irrigação no perímetro do Baixo-Açu não chega, hoje, a 1,7m³/s, o equivalente a somente 25% da vazão original, de 6,8m³/s, dimensionada para o reservatório em sua capacidade máxima, que é de 2,4 bilhões de m³.

A redução da vazão para irrigação em 75% é consequência da diminuição do volume de água da barragem, principal manancial do Rio Grande do Norte, que atualmente encontra-se em 709 milhões de m³ (29,53% de sua capacidade).

No entanto, as Secretarias de Estado dos Recursos Hídricos da Paraíba e Rio Grande do Norte pretendem, nos próximos 45 dias, limitar ao consumo humano o uso da água da bacia hidrográfica do Rio Piranhas-Açu, em que a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves se insere. O que ainda não está definido é em que nível e por quanto tempo será essa restrição, medida que muito preocupa o presidente do Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (Diba), o engenheiro agrônomo Guilherme Saldanha. 

De acordo com ele, a interrupção da irrigação deixaria 4.500 pessoas desempregadas somente no Diba, que reúne 176 pequenos produtores e dez empresas de pequeno porte,  em uma área de 2.500 hectares. O grosso da produção, comercializada no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará, é de banana, mamão, coco, jerimum, manga, tomate, melão, milho, feijão e sorgo. Se o perímetro tiver que ser paralisado por 12 meses, o prejuízo estimado é de R$ 50 milhões – faturamento anual.

Guilherme Saldanha não acredita,  nem vê a necessidade de uma medida tão drástica para a região. “Analisando friamente a situação do açude Armando Ribeiro Gonçalves, o volume armazenado, não há razão para se proibir o uso da água para irrigação. O reservatório ainda não atingiu o volume de alerta (24% da capacidade) e nós já estamos trabalhando com uma vazão bem baixa, cumprindo religiosamente o racionamento determinado pela Agência Nacional de Águas (ANA)”, disse o presidente do Diba.

Ainda de acordo com Saldanha, a vazão para uso geral era, até outubro do ano passado, de 12,5m³/s. Depois, diminuiu para 8m³/s e hoje está em 5m³/s, sendo que os produtores do Diba retiram para a irrigação 1,5m³/s de água, quantidade até inferior aos 1,7m³/s estipulados na mais recente Resolução da ANA (a 316), que passou a vigorar no dia 9 de abril. 

O engenheiro agrônomo garante que a água tem sido suficiente para a produção no Baixo-Açu, apesar de ser 75% inferior à vazão original destinada à irrigação (levando em consideração a capacidade máxima do açude). 

Pela volume de água que o Armando Gonçalves Ribeiro ainda tem, ele defende que o foco da discussão não deveria ser a restrição do seu uso, mas sim o desperdício. “Tem que se  debater a eficiência do seu uso, o controle do furto de água nas adutoras e se fazer força política para acelerar a transposição do Rio São Francisco”, concluiu.

Tribuna do Norte

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