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domingo, 10 de maio de 2015

Projeto estimula cultivo de uvas no Oeste Potiguar


Mossoró – Apesar de não ter um clima temperado, algumas áreas do semiárido nordestino apresentam potencial para a produção de uvas. Parte delas já está bem consolidada, como a região do Vale do São Francisco (situado entre os sertões da Bahia e Pernambuco), que é um dos mais importantes polos vitivinícolas do Nordeste, responsável por mais de 90% da exportação de uva de mesa. Novas áreas, porém, despontam como promessa nesse tipo de cultivo, como é o caso do Oeste Potiguar. 

O Sebrae no Rio Grande do Norte está estimulando agricultores familiares a apostar na plantação da fruta. Núcleos já instalados em Apodi e Mossoró – e outros em implantação em Pureza e cidades próximas a Natal – comprovam a viabilidade da viticultura no estado, segundo a entidade.
Fred Veras
Agricultores da Agrovila Paulo Freire são os primeiros a cultivar a variedade: PerspectivasAgricultores da Agrovila Paulo Freire são os primeiros a cultivar a variedade: Perspectivas
Pesquisa da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) ratificam que o clima e o solo dessas regiões têm condições propícias ao desenvolvimento da variedade popularmente conhecida como uva Isabel precoce, que é ideal para o consumo in natura e, principalmente, para produção de sucos integrais. Os pesquisadores também identificaram que a uva apresenta qualidade superior. “A uva que produzimos em nossa fazenda experimental, em Mossoró, obteve 24° Brix. O mínimo, no caso de uvas especiais, fica na faixa entre 16 ° a 18°. Esse índice mede o teor de doçura e de qualidade da fruta”, explica o pesquisador da Ufersa Django Dantas, que também é consultor do Sebrae.

Assentamentos
O Sebrae decidiu instalar experiências piloto em assentamentos. O projeto é desenvolvido com agricultores familiares das regiões Oeste, Grande Natal e Mato Grande. Ao todo, são 14 produtores envolvidos no cultivo, sendo cinco em Mossoró, nove em Apodi e os demais nas outras áreas. As famílias capacitadas para o plantio vêm recebendo consultorias do Sebrae desde agosto de 2014 e devem contar a assistência até o próximo ano.

“Estamos aplicando o que foi identificado nas pesquisas nesses assentamentos. Todas as mudas que estão sendo fornecidas são multiplicadas através da técnica de enxerto e mantidas em viveiros da Ufersa e no campus de Apodi do Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN)”, diz o gestor do projeto de Fruticultura do Sebrae-RN, Franco Marinho.

Além da qualidade da uva produzida em solo potiguar, as condições climáticas se apresentam como mais uma vantagem para o cultivo na região Oeste, já que produzem duas safras por ano. Enquanto os produtores do sul do país colhem apenas uma safra por ano, devido ao período de inverno, quando o parreiral não produz. “A vantagem do cultivo da uva é a rentabilidade, pois um hectare plantado rende em média de R$ 80 a 100 mil por ano”.

Além da Ufersa, o IFRN integrou a parceria para implementar a iniciativa. “O instituto entrou no projeto na articulação dos produtores em Apodi e com a produção das mudas”, explica o professor do IFRN, Renato Alencar.

Com a primeira colheita prevista para janeiro de 2017, os 22 agricultores familiares assistidos pelo Sebrae no RN recebem visitas semanais onde são ensinados o passo a passo de como conduzir o plantio. “Estamos orientando os produtores com a tecnologia de produção, e também no tocante a comercialização e organização. O próximo passo do projeto é a unidade extratora de suco, para produção do suco da uva”, aponta Franco Marinho.

Tribuna do Norte

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