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quinta-feira, 28 de maio de 2015

“Hub é passo para aeroporto explorar todo o potencial’


Durante os cinco meses da alta estação 2014/2015, o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, registrou um aumento de 12,5% na movimentação de passageiros se comparado à última temporada, quando a porta de entrada do Rio Grande do Norte ainda era o Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim. Entretanto, na avaliação do presidente da Federação de Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomercio), Marcelo Queiroz, o aeroporto ainda não funciona em plenitude. Para ele, a ausência dos acessos ao aeroporto  que, 361 após a inauguração do terminal ainda não foram entregues, retiram competitividade do ASGA.Magnus Nascimento
Para presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, o novo aeroporto do RN ainda não funciona na sua plenitude e perde competitividade sem acessos
Para presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, o novo aeroporto do RN ainda não funciona na sua plenitude e perde competitividade sem acessos
Para Queiroz, a conclusão dos acessos deve ser prioridade para o estado, que hoje disputa com Pernambuco e Ceará a oportunidade de sediar o primeiro centro de conexões de vôos do Nordeste, a ser operacionalizado pela TAM. A previsão da companhia é que o hub traga um acréscimo de 1,5 milhão de passageiros ainda no primeiro ano de operações.

Os desafios para o turismo e as perspectivas de investimentos do setor nos próximos anos serão debatidos na 23ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento, que acontece dia 8 de junho, no Versailles Recepções. Na entrevista abaixo, Queiroz, que mediará palestras do seminário, analisa a conjuntura atual do turismo no Rio Grande do Norte: 

O aeroporto de SGA era apontado como uma forma de alavancar setores do Rio Grande do Norte. Quais foram as atividades mais impactadas neste primeiro ano de funcionamento, e de que forma? 
O setor de Serviços de uma maneira geral, com destaque, claro, para o segmento de turismo. Mas é preciso deixar claro que o aeroporto sozinho ainda não teve tempo suficiente para impactar em todos os setores sobre os quais tem potencial de fazê-lo. Primeiro porque ele ainda patina na questão dos acessos e segundo porque só agora começou a dispor de ferramentas para ser uma peça – importante - no conjunto de diferenciais que o estado pode oferecer. A concessão do incentivo fiscal sobre o querosene de aviação, algo essencial para os planos iniciais do aeroporto, só aconteceu há menos de dois meses e já teve reflexos bem diretos, como o anúncio de novos voos e até mesmo a entrada do estado na disputa pelo centro de passageiros e cargas da empresa Latam, o tão desejado hub. É preciso entendermos que a implantação deste centro seria o primeiro passo mais efetivo no sentido de que o nosso aeroporto possa ter todo o seu potencial explorado. 

Esperava-se que, com o aeroporto, tivéssemos aumento na geração de emprego. Mas o Caged de março mostra que em 12 meses tivemos aumento tímido de 2% na geração de emprego no comércio, e de 3% no no setor de alojamentos e alimentação. O que “barrou” esse crescimento esperado?
Podemos interpretar os números de várias maneiras. Eu prefiro destacar outro ângulo. Segundo o mesmo Caged, no primeiro trimestre deste ano, o Rio Grande do Norte perdeu 5.212 empregos formais. O setor de Comércio fechou 641 postos.  Mas quando somamos Comércio e Serviços, temos um saldo positivo de 1.729 empregos neste primeiro semestre sobre o mesmo período de 2014, ou seja, o segmento de Serviços vem tendo um ano melhor. 

Como o senhor avalia o funcionamento do aeroporto neste primeiro ano desde a inauguração?
Por tudo o que eu já disse, não acho justo avaliar o aeroporto sozinho neste primeiro ano. Eu diria que ainda faltam a ele algumas ferramentas para poder desenvolver todo o seu potencial. Até posso considerar que perdemos algum tempo. Mas agora é preciso olhar para a frente. Temos um importante e longo caminho a percorrer.

Como a Fecomercio avalia as ações do Governo do Estado com relação ao aeroporto? 
O governo está no caminho certo. Mas é urgente dar uma solução à questão dos acessos. Já se falou muito, mas ainda tenho visto pouca ação efetiva neste sentido. Com acessos e com incentivos fiscais para o querosene de aviação (QAV), que já temos, somando isso a um plano contínuo e bem planejado de divulgação do nosso turismo, não tenho dúvidas de que os impactos no turismo serão transformadores. Além disso, acho que é preciso o empenho, de todos nós, para tentarmos ganhar este centro da Latam. Ele, sim, poderá ser o grande divisor de águas da história do nosso aeroporto.

Por que a desoneração era importante?
Ela é fundamental, sobretudo por que nos coloca em posição de vantagem sobre alguns destinos e, no mínimo, em pé de igualdade em relação a outros. Basta dizer que sem este incentivo nós não teríamos conquistado já quatro novos voos nacionais e dois internacionais para o nosso terminal. Além disso, a desoneração foi fundamental para entrarmos na disputa pelo hub da Latam.

Com relação ao hub, o RN compete ainda com Ceará e Pernambuco. Quais investimentos devem ser feitos pelos próximos seis meses para que o estado consiga arrematar o investimento?
Garantir a finalização dos acessos, antes de tudo.  Depois é preciso oferecermos um apoio de infraestrutura e também parcerias que possam garantir a formação, qualificação ou capacitação de mão de obra para os diversos serviços que um projeto como este demanda. Se fizermos isso, já seria um ótimo começo. O restante das necessidades virão depois e tenho certeza de que poderíamos atender.

Quais os benefícios da instalação do hub no RN? Poderíamos esperar acréscimo de quanto na movimentação?
Não temos estes números sobre impacto na movimentação do aeroporto, mas pode ter certeza de que eles seriam significativos. Os benefícios seriam muitos. O maior deles, que sintetiza todos é exatamente o que eu já disse: seria o primeiro passo efetivo para explorarmos todo o potencial do nosso terminal, uma estrutura gigantesca, com espaço para crescer e ser um instrumento fundamental na promoção do desenvolvimento social e econômico do nosso estado.

É possível “democratizar” o desenvolvimento econômico gerado pelo aeroporto para além da Região Metropolitana de Natal? De que forma?
O impacto de um aeroporto como este, funcionando na plenitude do que ele pode e para a qual foi planejado, se dá em todo o Rio Grande do Norte. Vou me ater apenas ao turismo. Um dos planos da Fecomércio, em parceria com entidades ligadas ao segmento que compõem a Câmara Empresarial do Turismo da Federação, é que possamos detalhar e trabalhar melhor o conceito dos roteiros turísticos na divulgação do nosso destino, seguindo um modelo que é consagrado em todo o mundo, com destaque para alguns destinos europeus. Ora, a partir do momento em que fizermos isso, iremos trabalhar o turismo religioso, o turismo histórico e o turismo gastronômico, com reflexos em cidades como Caicó, Currais Novos, Santa Cruz, Mossoró, Apodi e tantas outras. E, como eu já disse, esta é apenas uma das vertentes. O que dizer dos impactos no setor de serviços como um todo? Claro que ele se dará em todo o RN.

Como fazer com que pequenas empresas – principal motor da economia potiguar – se insiram na movimentação gerada pelo aeroporto?
Olha só: o Brasil tem hoje cerca de 14,1 mil  Micro e Pequenas Empresas ativas. No Rio Grande do Norte, são 163 mil delas, o que equivale a 1,2% do total nacional. Considerando que há no Estado hoje cerca de 180 mil  empresas ativas, as MPEs representam 90,5% delas. O setor de Comércio concentra a maioria delas. São 81,5 mil (50,07%). Outras 15,8 mil (9,67%) são indústrias; 14 mil  (8,6%) estão na área de Alojamento e Alimentação, notadamente na atividade turística e 10,5 mil estão classificadas como “Outras atividades de Serviços”. Pela força da abrangência das MPEs, eu diria que é quase impossível que elas não se insiram neste processo.

Como a Fecomercio pode contribuir com o processo de consolidação do aeroporto?
A Fecomércio sempre acompanhou de perto esta questão. Os assuntos ligados ao Aeroporto de São Gonçalo sempre estiveram na nossa pauta, desde antes de ele existir efetivamente. Realizamos visitas à obra, promovemos encontros entre representantes do Inframérica e empresários, ouvimos especialistas no assunto. E assumimos esta postura exatamente por entender a importância deste equipamento para o nosso desenvolvimento econômico. Temos nos mantido à disposição, inclusive nos entendimentos em torno do Centro de Operações da Latam, já deixamos claro ao governador, ao ministro Henrique Alves e a todos os envolvidos que temos como atuar de forma direta, entre outras coisas, na capacitação e qualificação da mão de obra a ser utilizada no equipamento, por meio do Senac que tem reconhecida excelência neste trabalho e pode formatar todos os cursos necessários para atender à demanda.

Quem
Marcelo Fernandes de Queiroz é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio) do Rio Grande do Norte e membro do conselho nacional do Sesc e do Senac.

Tribuna do Norte

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