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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Vazão da Armando Ribeiro cai em 50%


Projetada para ser o ‘pulmão’ hídrico do Rio Grande do Norte, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, respira com dificuldades. O maior reservatório do estado alcançou, neste mês, uma das piores médias históricas de reserva de água: 30,4% da capacidade total (2,4 bilhões de metros cúbicos). Desde o ano passado, a Agência Nacional de Águas (ANA), gestora do reservatório, diminui a distribuição de água pelo reservatório. Com a capacidade total, a barragem consegue liberar até 17 metros cúbicos de água por segundo: hoje, a média é de 9,59 m³/segundo, quase metade da capacidade.

Construída na década de 1980 no município de Itajá,    a barragem tinha como foco suprir a demanda de água para o projeto de irrigação do Vale do Assú. A região é dividida em dois lotes, mas apenas um funciona  e está sob responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca. Atualmente, 72% (ou 6,8 m³/segundo) da vazão da barragem é destinada à irrigação às margens do Rio Piranhas-Açú. Já a demanda de abastecimento de 34 municípios do estado é atendida por uma vazão de 1,1 m³/segundo.
Desde o ano passado, a Agência Nacional de Águas (ANA), gestora do reservatório, diminui a distribuição de água pelo reservatório
Entretanto, a ANA iniciou estudos para conter a demanda destinada à irrigação. De acordo com o superintendente de planejamento da agência, Sérgio Ayrimoraes, um plano estadual para gestão de bacias hidrográficas foi apresentado na última sexta-feira  (6) com o objetivo de delimitar um “marco regulatório” do uso das águas no RN.

Informalmente, porém, há uma previsão de que, caso não chova até março, seja suspenso ou pelo menos restrito o abastecimento para irrigação, de acordo com o DNOCS, órgão que administra o perímetro irrigado do Baixo Assú. O coordenador estadual José Eduardo Alves Wanderley, afirma que, com a chegada da barragem a níveis críticos, é possível que haja novo corte na vazão.“No ano passado compramos hidrômetros, pois o principal problema não é a irrigação, mas o desperdício. Agora, como as previsões de chuva até março são muito ruins, acredito que a ANA vai tomar alguma medida se não para suspensão, mas para restrição da água”, pontua.

Baixa é 1,3 bilhão de litros d’água por dia
Somente nos primeiros 37 dias de 2015, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves perdeu 1,3 bilhões de litros de água por dia. Entre 31 de dezembro e 31 de janeiro, a barragem secou em 41 bilhões de litros. Somada à ausência de chuvas no interior do Rio Grande do Norte, a falta de controle do Estado sobre o uso dos mananciais, bem como vazamentos no sistema de distribuição, são fatores que contribuem com o encolhimento dos níveis de reserva.

Em dezembro, o índice diário de evaporação foi ainda maior: 1,6 bilhões de litros por dia. “A evaporação é proporcional ao tamanho do espelho d’água. A média de evaporação é de 7 milímetros por dia, em média”, afirma o professor de recursos hídricos da UFRN João Abner Guimarães. “A água em um pires evapora mais rápido do que em uma xícara, pois o volume é menor. Quanto maior a lâmina de água, maior o índice de evaporação”, compara Joana D’arc, especialista em recursos hídricos.

Plano
A barragem faz parte da bacia hidrográfica Curema-Mãe D’água, que corta os estados do RN e Paraíba. O rio, portanto, é federalizado, e a gestão da vazão dispensada pelas comportas é da Agência Nacional de Águas (ANA). Quando construída, na década de 1980, tinha como foco a perenização do Rio Piranhas-Açu para o abastecimento do perímetro irrigado do Baixo Açu, mas o canal de 9km da barragem também é responsável pela perenização do rio Pataxó e de outros afluentes.

Um dos problemas para a manutenção de um sistema complexo como a Armando Ribeiro é a divisão de competências. Hoje, ANA, Departamento Nacional de Obras Contra a Seca e Estado dividem a responsabilidade sobre a distribuição das águas. Com o Estado, ficou a manutenção do Canal do Pataxó, que faz a transposição das águas da Armando Ribeiro para o Rio Pataxó. Já o Dnocs, com a gestão sobre o perímetro irrigado do Baixo Açu.

Entretanto, nas últimas três décadas desde a construção da barragem, nenhum dos canais do sistema passou por qualquer tipo de manutenção. Vazamentos são encontrados, segundo o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, no sistema de distribuição de água nos perímetros irrigados do Baixo-Assú. A recuperação custaria R$ 15,8 milhões. 

“O recurso pedido ao Ministério da Integração não foi veio. Existem vazamentos. Claro que, de uma maneira geral, não é causa de a barragem estar no nível que está. Mas se reduzimos 40% do consumo com os hidrômetros, sem os vazamentos seriam mais 5%”, avalia José Eduardo Alves Wanderley, coordenador estadual do DNOCS.

Na última sexta-feira, a ANA apresentou ao Estado os traçados de um plano para gestão da bacia do Piranhas-Açu. Nas ações, revisão dos direitos de outorga, cadastramento de usuários, interligação de reservatórios e construção de adutoras: R$ 3,6 bilhões de investimentos necessários para RN e Paraíba. Os recursos ainda não estão garantidos. “Não temos datas ainda (para implantação). A aprovação do plano pelo Comitê de Bacias é o primeiro passo porque saberemos quais obras iniciar”, afirma Mairton França, secretário estadual de recursos hídricos.

Tribuna do Norte

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