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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Prisão de Cerveró gera apreensão no meio político em Brasília


A prisão de Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras , causou apreensão no mundo político em Brasília.

O temor entre os partidos da base aliada é que Cerveró, depois de um período na prisão, acabe colaborando com delação premiada, como fizeram Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da estatal, o doleiro Alberto Yousseff e até mesmo alguns executivos de emepreiteiras.

A maior preocupação hoje é entre integrantes do PMDB, já que Cerveró é apontado nas delações premiadas já feitas até o momento como um operador do partido dentro da Petrobras.

No início de 2014, PT e PMDB chegaram a repassar um para o outro a responsabilidade pela indicação de Cerveró. À época, a própria presidente Dilma Rousseff havia responsabilizado a área internacional da Petrobras pelo parecer falho em que se baseou a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Na ocasião, Cerveró era apontado como representante dos dois partidos dentro da estatal. Sentindo-se ameaçado, o ex-diretor chegou a dar sinais para integrantes da oposição de que não iria assumir sozinho a responsabilidade pela compra da refinaria, que deu prejuízo de quase 800 milhões de dólares.

Apontado como homem-bomba pela oposição, Cerveró foi blindado pela base governista e acabou recuando de suas ameaças. Nesse processo de reaproximação com o governo depois dos ataques pessoais de Dilma, Cerveró chegou a participar de um media training patrocinado pela estatal para se preparar para  depoimentos às CPIs da Petrobras no Senado e no Congresso Nacional.

No entanto, desde que foi apontado por Paulo Roberto Costa como o nome do PMDB dentro do loteamento político na estatal, e acusado de receber propinas, inclusive pela compra da refinaria de Pasadena, Cerveró passou a trabalhar sozinho pela sua defesa.

A prisão de Cerveró, por ter tentado transferir e repassar imóveis que estavam em seu nome para parentes, surpreendeu inclusive caciques peemedebistas, que nesta quarta-feira estão reunidos para prestar apoio a candidatos da legenda para as presidências da Câmara e do Senado.

Um integrante da cúpula do partido lembrou hoje que, antes do escândalo, Cerveró circulava com desenvoltura não só em Brasília, mas também no Congresso Nacional, por vários gabinetes de parlamentares.

"É preciso saber a capacidade de resistência do Cerveró. Se ele falar como Paulo Roberto Costa, será uma bomba", desabafou ao Blog esse integrante da cúpula do partido.

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