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sábado, 17 de janeiro de 2015

Exportações do Rio Grande do Norte crescem 1,4%


Limitado pela fraca produção agrícola em mais um ano de seca, o Rio Grande do Norte exportou no ano passado  251,3 milhões de dólares, crescimento de apenas 1,4% em relação a 2013, segundo dados  sistematizados ontem pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias (Fiern). O comércio externo foi salvo pelos minérios, que tiveram aumento significativo. As exportações de sal marinho atingiram 797,9 mil toneladas e um faturamento de US$ 19 milhões, aumento de 199,9% em relação ao ano anterior. Mármores e travertinos foram quase 12 mil toneladas e aumento de 305% em relação a 2013.

Apesar da seca, o principal produto da pauta de exportações foi o melão, produzido em áreas irrigadas da região Oeste. Foram 84,4 mil toneladas e US$ 60 milhões. Em segundo lugar vêm os tecidos de algodão, a castanha de caju, o sal, as chapas plásticas, peixes, balas e bombons e tungstênio. Juntos, esse produtos representaram US$ 173,1 milhões,  equivalentes a 68,8% do valor exportado.
Alex Régis
Apesar da seca, o melão produzido na região oeste foi o carro-chefe das exportações em 2014
Apesar da seca, o melão produzido na região oeste foi o carro-chefe das exportações em 2014 
Os números da Fiern mostram que produtos tradicionais, como banana, lagosta, camarão, açúcar, balas e bombons tiveram queda no volume exportado. Balas e bombons, que fizeram a Simas Industrial uma das principais exportadoras do RN, tiveram queda de 40,3%; banana (-42%), Lagosta (-25,2%), camarão (-12%).

Entre os produtos da pauta de exportação, tiveram crescimentos expressivos tecidos de algodão (126%, em 2014 na comparação com o ano anterior), sal (199%, 2014 em relação a 2013) e chapas plásticas (40%, no ano passado em comparação com 2013). O sal apresentou em 2014 o maior valor já registrado em suas exportações em um ano e 797,9 mil toneladas. As exportações de minérios de tungstênio também tiveram um crescimento significativo, com uma expansão anual de 95%. Os principais destinos das exportações potiguares são a União Europeia, Holanda, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Itália, Portugal e França.

 O levantamento constatou também que as importações do estado cresceram 19,5% em 2014, lideradas pelo trigo, fornos e outros equipamentos para a indústria do cimento, geradores eólicos, entre outros ativos e insumos de produção predominantes nas nossas importações. O comércio cresceu 9,9% e o saldo comercial ficou negativo em  US$ 62,3 milhões. Os dados mostram também que as exportações de dezembro foram 4,9% menores que as de novembro do mesmo ano.

Para o gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiern, Luiz Henrique  Guedes, diante do quadro atual, o resultado não é tão ruim como se possa imaginar.  “Considerando que o Brasil exportou no ano passado  7% a menos que em 2013, e que desde 2010 não tínhamos apresentado crescimento nos valores exportados, o resultado do RN não foi tão mal, mas não podemos comemorar, pois ainda estamos exportando bem menos do que exportávamos antes da crise de 2008.

Bate-papo - Luiz Henrique M. Guedes
Gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiern

“O mercado externo está estagnado”

Por que as exportações cresceram apenas 1,4% se houve uma valorização do dólar no ano passado? 
A valorização do dólar melhorou a receita das empresas que já estavam exportando. Se permanecer favorável em 2015, quantidades maiores podem ser exportadas ou mesmo novas empresas podem passar a exportar. Mas o mercado externo está estagnado e é preciso fazer um grande esforço para aumentar as vendas.

A que se deve o crescimento das exportações tungstênio? 
O preço internacional do tungstênio esteve favorável na maior parte do ano e as empresas aproveitaram para aumentar as exportações. No final de 2014 os preços recuaram, mas a melhora do dólar compensou parte dessa queda de preço.

Os frutos do mar estão em queda por quê? Perdemos mercado para algum outro país ou foram as dificuldades internas do setor? 
Houve aumento nas exportações de peixe, que poderiam ser maiores não fosse o problema com os barcos apreendidos. Lagosta: existe redução na captura, por motivos de pesca irregular. Quanto aos camarões, estamos praticamente sem exportar faz algum tempo, com alguma ocorrência em 2014. Perda de competitividade internacional, principalmente em função do real supervalorizado nos anos anteriores. O mercado interno, por outro lado tem compensado boa parte dessa perda de exportações.

Tivemos um déficit na balança comercial deste ano. Até que ponto isso é ruim para o Estado? 
Devemos incentivar o crescimento das exportações a fim de conseguirmos superavit na balança, sem diminuirmos nossa corrente de comércio (exportações + importações), sem que as empresas precisem parar de importar máquinas, equipamentos e insumos de produção. Mas permanecendo o dólar alto, certamente deve inibir parte das importações, principalmente de insumos que podem ser adquiridos de empresas brasileiras.

Tribuna do Norte

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