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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Governo anuncia 1,5 mil MW de energia a mais para atender Sudeste


Depois de afirmar que o apagão da segunda-feira (19) não foi causado por falta de energia, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, convocou uma coletiva nesta terça (20) em Brasília para anunciar medidas que, segundo ele, devem elevar a oferta de eletricidade na região Sudeste em cerca de 1,5 mil MW (megawatts). Na mesma tarde, o diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, se reuniu no Rio de Janeiro com agentes envolvidos para analisar o corte de energia.


Entre as medidas anunciadas por Braga está a transferência de um adicional de 300 MW da usina de Itaipu e aceleração da manutenção em termelétricas da Petrobras, para que voltem a operar e gerar energia antes do previsto. Essas térmicas devem agregar outros 867 MW até 18 de fevereiro.

O ministro disse ainda que "não há previsão de racionamento" de energia no país e não soube responder se houve falha humana capaz de provocar o blecaute ocorrido em vários estados das regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Gnews Eduardo Braga  (Foto: Reprodução GloboNews)O ministro Eduardo Braga convocou reunião após
corte de energia

(Foto: Reprodução GloboNews)Braga voltou a negar que a falta de luz, que atingiu 11 estados e o Distrito Federal por cerca de 1 hora, foi provocada por falta de energia para atender à demanda crescente, principalmente no Sudeste, devido ao calor intenso dos últimos dias.

"Buscamos compreender a intercorrência para aprimorar o sistema. Não estamos fazendo aqui caças as bruxas, estamos tentando entender o que aconteceu em pormenores", afirmou Braga.

Durante a coletiva, o ministro disse que sua equipe faz "um esforço para ter um sistema [de energia] mais confiável, cada vez mais robusto e confiante". Ele citou uma ocasião em que ficou horas em Nova York sem energia elétrica e nem por isso as bolsas norte-americanas sofreram com a queda de luz. No Brasil, a Bovespa reagiu com queda após a falta de energia, e preocupações sobre a questão continuaram influenciado a bolsa nesta terça. 

“Pode assegurar ao povo e aos trabalhadores brasileiros que nos temos energia para atendê-los”, disse o ministro, complementando que o país vive “um extremo climático de auto rigor no ritmo hidrológico”, que vem reduzindo sensivelmente o armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Entretanto, Braga disse que, para garantir esse fornecimento de energia no país em 2015, é preciso contar com a ajuda de Deus. “Deus é brasileiro, temos também que contar que ele vai trazer um pouco de umidade, um pouco de chuva, para que a gente possa ter mais tranquilidade ainda”, disse.

Falha técnica
O ministro voltou a afirmar que o apagão da segunda-feira teve como causa original uma falha em um conjunto de capacitores na rede de transmissão de energia entre o Norte e o Sudeste do país. Segundo ele, porém, ainda não é possível especificar o exato ponto do problema e nem o que o provocou.

Na sequencia, informou ele, uma série de usinas geradoras de energia foram desligadas de maneira “indevida” por seus sistemas de proteção. De acordo com o ministro, a falha não deveria ter acionado esses mecanismos.

Entre as usinas que registraram o problema estão a Governador Ney Braga, administrada pela Copel, do Paraná, e que tem capacidade para 1.260 MW. Para evitar que volte a ocorrer, o sistema de proteção dessa hidrelétrica foi desabilitado até que seja feita uma avaliação.

Outra usina que sofreu desligamento foi Angra I, no Rio de Janeiro, “pela atuação de proteção de subfrequência.” Segundo o ministro, “a possibilidade de alteração desse ajuste está sendo investigado pela Eletronuclear”, que administra Angra I.

Apagão
No apagão desta segunda-feira, houve interrupção da circulação de trens no metrô de São Paulo e algumas estações da Linha 4-Amarela chegaram a ficar fechadas. No Rio de Janeiro, a usina nuclear de Angra 1 foi desligada devido à oscilação de energia.

O corte de luz foi feito por ordem do ONS e ocorreu às 14h55, segundo registro do órgão. Nota divulgada pelo operador afirma que houve “restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste" que "aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica”.

As distribuidoras de estados das regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste afirmaram que a redução no fornecimento de luz foi feita por orientação do próprio operador nacional. O ONS disse que adotou "medidas operativas em conjunto com os agentes distribuidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, impactando menos de 5% da carga do Sistema".

"Corte programado"
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou também durante a coletiva que, após “desajuste de proteção” na hidrelétrica Governador Ney Braga, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) “fez corte programado” de energia em vários pontos do país para evitar que o apagão fosse maior.

Na segunda, distribuidoras em estados das regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste já haviam informado que reduziram o fornecimento de luz após uma orientação do ONS, o órgão responsável pela gestão de energia no país. Uma das distribuidoras, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), afirmou em nota que o corte foi programado, por determinação do ONS.

Fábio Amato Do G1, em São Paulo

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