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segunda-feira, 10 de março de 2014

Kassab: Agora, Kassab quer refundar Partido Liberal


Depois de deixar o DEM, fundar o PSD e abrir uma "janela da infidelidade" partidária que desidratou as legendas de oposição ao governo Dilma Rousseff (PT), o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab agora articula nos bastidores a recriação do antigo Partido Liberal (PL). A nova versão da sigla - que existiu até 2006, quando se fundiu com o Prona do ex-deputado Enéas Carneiro e passou a se chamar PR - já está registrada nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de nove Estados, como exige a lei, e pode se tornar o 33.º partido do País.

O novo PL também conseguiu reunir 250 mil das 500 mil assinaturas necessárias para existir legalmente. "Queremos completar as 500 mil antes da Copa do Mundo. Depois é só burocracia", diz o presidente do diretório nacional provisório da legenda, Cleovan Siqueira.

Em vários Estados, o processo de coleta de assinaturas e organização partidária está sendo comandado por integrantes do PSD. Em São Paulo, por exemplo, o presidente da comissão provisória do PL é um dirigente do PSD que atua na coordenação da pré-campanha de Kassab para governador: José Rubens Domingues. Na Bahia, a "refundação" da agremiação liberal está sendo organizada pelo vice-governador Otto Alencar, também do PSD.

Questionado sobre o processo, o ex-prefeito da capital minimiza seu papel. "É um partido próximo. Nós indicamos o PL como uma opção para as pessoas que estavam insatisfeitas em seus partidos, mas com medo de vir para o PSD", diz Kassab, que é tratado como "ícone" no site da legenda. O ex-prefeito começou sua carreira política no antigo PL ao lado de Guilherme Afif Domingos, ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

"O Kassab tem ajudado muito e apresentado lideranças, mas ele não é o único. Em Goiás, é o governador Marconi Perillo (PSDB) quem está me ajudando", afirma Cleovan, que é assessor da Casa Civil do governo goiano.

Migração. Quando o PL cumprir todas as etapas do rito exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral para ser criado, a sigla pode se transformar em uma nova janela de migração partidária, como foi o PSD. Seria, portanto, um caminho para que o presidente da República eleito em outubro reforçasse sua base no Congresso Nacional.

O problema desta vez é que a Lei Federal 12.875, aprovada no ano passado, tornou menos atrativo esse cenário ao determinar que os novos partidos só terão direito ao tempo de TV e recursos do Fundo Partidário correspondentes ao número de parlamentares eleitos diretamente pela agremiação fundada. Ou seja: quem migrar não levará junto a sua fração e a sigla não terá recursos públicos. Por outro lado, nas eleições municipais de 2016 os candidatos a prefeito e vereador dos novos partidos terão direito a participar das propagandas eleitorais locais.

Esse mesmo dilema está sendo vivido pela Rede Sustentabilidade, partido que a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva ainda tenta criar. Apesar do rigor da nova regra, existem hoje, segundo o TSE, seis partidos na fila para serem oficializados.

Entre eles estão a Arena, legenda que resgata o nome da agremiação que representava politicamente o regime militar, e o Partido Liberal Brasileiro (PLB). Outros 31 partidos apresentaram documentos em pelo menos um TRE e estão coletando assinaturas para entrar em cena.

Fonte: O Estadão


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