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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Botafogo x Wallyson: Sonho Realizado


A cena registrada e imortalizada pelas imagens da televisão, com Wallyson sendo substituído aos 36 minutos do segundo tempo e aplaudido de pé por um público superior a 50 mil pessoas, num dos mais importantes palcos do futebol mundial, soaram com uma consagração, mas, na verdade, para o atacante não passou da realização de um grande sonho. Autor de três dos quatro gols da equipe carioca no duelo final contra o Deportivo Quito, cuja vitória garantiu a classificação do alvinegro para fase de grupos da Libertadores, o jovem talento revelou que quando assinou contrato com o Botafogo já imaginava esse momento.

“Imaginava jogar em um Maracanã lotado como esse e fazer história. Felizmente comecei muito bem”, disse o atleta. É difícil para quem almeja seguir a carreira de jogador de futebol, não ter um sonho desse tipo, mas cumprida a primeira parte desse sonho, a segunda já está bem traçada na cabeça do atacante potiguar. “Quero dar muitas alegrias ao Botafogo. Espero que a semana que vem (terça-feira o clube enfrenta o San Lorenzo da Argentina pela Libertadores) o Maracanã esteja do mesmo jeito”, salienta.

O estrelato de jogadores potiguares no Botafogo não é para muitos, antes de Wallyson que começa a escrever as primeiras linhas de sua história no “Glorioso”, só Marinho Chagas conquistou façanha idêntica. A “Bruxa” se transferiu para o alvinegro no início da década de 70 e, apesar de nunca ter conquistado nenhum título, continua sendo motivo de boa lembrança para os botafoguenses. 

Os três dos quatro gols marcados pela equipe diante do Deportivo Quito, foram suficientes para transformar o atleta potiguar no segundo maior artilheiro da equipe numa Libertadores. Neste ponto, Wallyson só perde para Garrincha que balançou a rede dos adversários no torneio continental em seis oportunidades.

O feito então não é nada mal para um atleta que entrou em campo como titular pela primeira vez e passou apenas 149 minutos em atividade com a camisa alvinegra. Para o autor de tamanha façanha, não pode se considerar sonhar demais a meta de fazer história num clube como o Botafogo, que tem uma torcida apaixonada e que costuma venerar seus ídolos pela eternidade.

“Vou fazer história aqui.  Tenho fé nisso”, ressaltou o atleta em entrevista concedida ainda no gramado, quando foi cercado pela imprensa por ter sido o grande herói da classificação alvinegra. “Estou concentrado no objetivo de ter muitas alegrias no Botafogo. Já tinha enfrentado o Botafogo algumas vezes, havia notado que a torcida é um show à parte”, ressaltou. 

No primeiro jogo pela Libertadores, na altitude de Quito, o atacante potiguar participou apenas de uma parte, uma vez que tinha desembarcado no Rio de Janeiro, vindo do Bahia, há poucos dias. Praticamente ele estreou na competição continental no confronto de quarta-feira passada. “A felicidade é enorme de começar uma Libertadores fazendo três gols. Foi uma noite especial para mim e para o clube”, comentou o camisa 19 do glorioso. 

Apesar de toda a festa, o jogador potiguar de 25 anos, faz um alerta a todos no clube, lembrando que a partida contra os equatorianos já é passado e faz parte da história do clube. “Agora”, destaca, “temos que continuar com o trabalho forte, porque na terça já temos outro jogo importante e precisamos ganhar”, disse Wallyson.

A história desse potiguar com a camisa botafoguense tem apenas 15 dias para ser contada, porém se as impressões iniciais são as que ficam, ela possui todos os requisitos para se transformar num grande caso de amor.

Emoção igual, só no nascimento do primeiro filho
A torcida do Botafogo fez sua parte, lotou o Maracanã e incentivou sua equipe desde o início do jogo. Dentro de campo, o time alvinegro correspondeu. Diante de 50 mil torcedores, o Glorioso goleou o Deportivo Quito por 4 a 0, com uma atuação brilhante de Wallyson. O atacante marcou três gols, deixou o campo ovacionado e comparou a emoção desta quarta-feira ao dia de nascimento de seu filho.

“É um dia que vai ficar marcado pra mim, pois não é todo dia que você faz três gols no Maracanã. Vivi um dia assim no nascimento do meu filho e agora pude viver emoção semelhante. Importante até pela história que o Maracanã tem. Fico feliz de fazer parte disso”, descreveu Wallyson, sem esconder a felicidade após a noite de gala diante de 50 mil torcedores.

Depois de ficar no banco de reservas na primeira partida, quando o Botafogo foi derrotado por 1 a 0 pelo Deportivo Quito, o atacante ganhou a chance entre os titulares para dar mais mobilidade ao ataque alvinegro. Logo no primeiro tempo, já mostrou seu cartão de visitas e abriu o placar com um belo chute de perna direita, depois de aproveitar a sobra dentro da área equatoriana.

Artilheiro da Libertadores de 2011, com sete gols marcados, ainda deixou sua marca duas vezes no segundo tempo, selando a classificação do Botafogo para a fase de grupos. O rendimento exemplar também rendeu elogios do treinador Eduardo Hungaro, que apostou no atacante, mesmo com poucos treinos, e espera que o desempenho de Wallyson continue assim.

“O Wallyson é um jogador que mostrou, em poucos treinos, que daria para gente uma situação diferente na linha ofensiva, mas foi um jogador que chegou depois e a gente precisava, dentro desse planejamento de dois jogos, utilizá-lo. A situação aconteceu para que ele começasse o jogo, ele teve uma bela atuação, fez três gols, então esperamos que ele continue assim”, explicou Eduardo Hungaro. 

Temporada de 2014 é promissora
A temporada de 2014 pode ser fundamental na carreira do atacante Wallyson. O jogador que  deixou o Rio Grande do Norte, numa transação bastante complicada para o Atlético/PR, em 2008, saiu do ABC como uma das grandes promessas do futebol brasileiro e assim continuou com as passagens por Cruzeiro, São Paulo e Bahia, onde conseguiu apenas um sucesso parcial. Agora surge a grande oportunidade de re-engrenar a carreira defendendo o Botafogo e livre de qualquer problema.

O garoto que deu os primeiros passos no futebol defendendo o Potiguar de Parnamirim, em 2005, foi indicado pelo treinador Francisco Diá a Flávio Anselmo, que na época decidiu iniciar o investimentos em jogadores de futebol. “Diá me indicou não apenas Wallyson, mas também Danilinho. Eles eram muito novos e não possuíam contrato profissional naquela época. Peguei os dois, fiz um acordo e coloquei ambos para treinar no ABC”, recorda o empresário.

Daí em diante a dupla de amigos seguiu caminhos distintos. Danilinho não conseguiu muita projeção, mas aos 17 anos, Wallyson  não demorou a ganhar a confiança dos abecedista, no ano de 2007, conquistando o posto de ídolo numa atuação semelhante a que teve quarta-feira, sendo que desta feita foi numa final de Campeonato Estadual contra o América, no Frasqueirão. Na oportunidade, o alvirrubro — que tinha montado um elenco para disputar a série A do Brasileiro — jogava pelo empate, mas acabou impiedosamente goleado pelo ABC e maltratado pela jovem promessa, autor de quatro dos cinco gols do alvinegro (5 a 2). Começava ali a história de amor entre o clube e o novo ídolo.

Além da conquista do título estadual, o jogador também participou da campanha que recolocou o alvinegro na série B, outro momento de grande emoção e inesquecível para o atleta, que não esconde sua paixão pelo ABC. Na trajetória no clube potiguar entre 2005 e 2007, o atacante fez 49 partidas e marcou 26 gols.

O Atlético do Paraná foi o primeiro clube fora de Natal, em princípio ele demorou a emplacar na equipe, sofreu com problema de adaptação, mas ficou dois anos no Furacão 2008 a 2010, fez 50 partidas e marcou 11 gols.

Fora do ABC, o clube onde mais conseguiu se projetar foi o Cruzeiro, onde o jogador potiguar conseguiu se consolidar como artilheiro da Libertadores de 2011, com os sete gols marcados pelo time celeste. Depois uma grave lesão no tornozelo impediu um melhor progresso na equipe. No time mineiro, participou de 84 partidas e marcou 27 gols.

Emprestado em 2013 ,ele teve uma passagem discreta pelo São Paulo, onde em 11 vezes que entrou em campo não conseguiu balançar a rede do adversário. A segunda parte da temporada Wallyson fez no Bahia, quando participou de 28 jogos pelo Brasileiro da série A e marcou quatro gols. 

Fonte: Tribuna do Norte

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