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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Licitações: Presidente da Alstom nega pagamento de propinas


São Paulo (AE) - O presidente da Alstom no Brasil, Marcos Costa, negou ontem que a multinacional francesa tenha participado de cartel em licitações de trens em São Paulo. Ele disse também que a empresa não pagou propina a políticos. “A Alstom não participa de cartel e não vê indícios de formação de cartel. Não posso dizer de algo que a empresa não participou. Não temos essa identificação de desvio de conduta de funcionários”, afirmou Costa em depoimento prestado à CPI dos Transportes da Câmara Municipal, que também passou a investigar as denúncias de cartel no setor metroferroviário. 

Costa fez menção ao acordo de leniência assinado em maio pela Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nele, a empresa delatou um acerto entre concorrentes nos certames pelos contratos do setor metroferroviário - do qual também teria feito parte a Alstom. Em troca da delação do esquema ao Cade, a Siemens terá um abrandamento de eventuais punições. 
epitácio pessoa/ecMarcos Costa, centro, presta depoimento na CPI dos Transportes que investiga denúncias de cartel no setor metroferroviário
Marcos Costa, centro, presta depoimento na CPI dos Transportes que investiga denúncias de cartel no setor metroferroviário

O presidente da Alstom também disse que a multinacional francesa não pagou propina a políticos. O Estado revelou em outubro um e-mail enviado pelo ex-presidente da empresa no Brasil José Luiz Alquéres, no qual ele “recomenda enfaticamente” a diretores da Alstom que utilizem os serviços do consultor Arthur Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista e pagador de propinas a servidores públicos de estatais do setor metroferroviário, entre 1998 e 2003. Na correspondência, de 18 de novembro de 2004, Alquéres destacou o “bom relacionamento com governantes paulistas”. Atualmente, Alquéres é membro do conselho estratégico da Alstom, segundo informou Costa. 

“Todos os nossos contratos de consultoria são absolutamente legais. Serviços foram prestados e pagos em função desses serviços. Contratamos consultorias reconhecidas. A Alstom não paga propina. A Alstom não contrata lobista”, disse Costa aos vereadores da CPI. 

“Os consultores prestaram serviços e não temos identificado nenhuma irregularidade. Existem investigações em curso. Os jornais fazem acusações, e em todas as investigações para as quais a Alstom é chamada estamos cooperando com todos os órgãos”.

O vereador Milton Leite (DEM), um dos membros da comissão parlamentar, disse que a Alstom é uma “organização criminosa” e questionou Costa em relação ao histórico da empresa francesa. Segundo o parlamentar, a multinacional francesa foi processada em vários países por pagamento de propina. Ele afirmou que o Banco Mundial, inclusive, impediu a empresa de participar de alguns projetos por “desvio de conduta” de alguns de seus funcionários.

O presidente da Alstom foi intimidado a depor na CPI outras duas vezes. Na primeira, o executivo conseguiu uma liminar na Justiça que o desobrigava a prestar esclarecimentos aos vereadores da comissão. Em novembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou a ação depois de acolher um recurso feito pelo presidente da CPI, vereador Paulo Fiorilo (PT). Depois disso, a comissão voltou a convocar Costa a depor. O presidente da Alstom compareceu à Câmara, mas na hora alegou mal-estar e teve que deixar a Casa sem responder aos questionamentos da mesa do colegiado. A CPI dos Transportes foi instalada em julho na Câmara após a onda de protestos pela redução das tarifas do transporte público Só depois ela passou a investigar as denúncias de cartel.


Fonte: Tribuna do Norte

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